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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

04
Nov22

Homenagem casamento Tiago & Orlando


Conheci o Tiago com um brilho nos olhos. Sim, aqueles lindos olhos azuis com pintas amarelas que só ele é capaz de ver. O brilho vi-o eu. Um brilho cheio de determinação e bravura, consciente daquilo que queria ser, daquilo que queria ter e daquilo que queria sentir.

Um rapaz de mãos gastas pelo trabalhador que é, de cabeça erguida pelos objetivos que pretende atingir, mas o coração destaca-se pela nobreza e honestidade.

Conheceu o Orlando por mero acasoBom, eu não sei se o destino existe ou não, mas o acaso traz estas surpresas, as quais não conseguimos arranjar razão que as justifique. Este amor, que celebramos aqui hoje, nasceu desses acasos, uma mera casualidade. Quão bonito consegue ser o inesperado? Que consegue mudar-nos a vida assim?

E, se a eternidade é uma ilusão, confiemos na aleatoriedade do universo, que nos trouxe até aqui hoje para aprender aquela religião universal: o amor. Sabendo que a glória, depende de cada um de nós, porque o amor nunca deixará de ser uma escolha, uma escolha diária.

Se o tempo falasse contaria a história destes dois corações que se decidiram enamorar há 5 anos atrás, num seio de coragem e determinação. Falar-nos-ia do Orlando como o suporte, que deu guarida à estabilidade emocional do Tiago. Acrescentaria a dedicação que têm um no outro, e, como em tudo na vida, a tolerância capaz de abraçar tanto as virtudes como as imperfeições. Entre gargalhadas, revelaria os momentos de humor partilhados! Contaria as inúmeras idas e voltas de comboio do norte ao centro e do centro ao norte, que desnorteava os apaixonados quando a saudade decidia gritar.

Se o tempo falasse falaria das dúvidas, dos medos, das questões que foram surgindo ao longo do caminho. Descrever-nos-ia as lágrimas da distância, de uma cega perseverança de quem sofre, mas que não quer desistir! Os punhos cerrados que se erguiam às dificuldades, mas o peito ia cheio para vangloriar o amor que decidiram partilhar.

Hoje celebraremos a liberdade, a de poder amar sem restrições, hoje celebraremos o verbo dar e o acreditar. Dar haveres infinitos, os que não são feitos de bens, mas de bem-quereres. E, acreditar, acreditar que tudo tem uma força maior, superior a nós, que nos faz caminhar na vida confiantes e crentes no amor eterno. Porque mais do que pensar na eternidade é acreditar nela. E o amor só será eterno quando “acreditar” for assíduo na rotina diária.

Então, hoje, acreditem e deem todo o amor de que são feitos. Deixemos os comboios de lado, os que fizeram parte da vossa história, porque daqui para a frente será um voo, aplanado nas nuvens da cumplicidade, lealdade e respeito e, quem o pilota são os dois, crentes de que juntos, saberão sempre por onde ir.

No vosso voo deem lugar à liberdade, à individualidade, à escolha, para que sejam sempre livres de serem vocês próprios, com as vossas próprias escolhas. Porque o amor toma uma beleza colossal quando escolhemos livremente em quem entrelaçamos as mãos.

E se o tempo continuasse a falar, que nos venha contar esta belíssima história de amor ouvida e sentida com o coração. E que todas as idas e voltas, todas as viagens, sejam um percurso perfumado, a pé, num voo ou, como dita a história, de comboio mas onde os dois, caminham sempre de mãos dadas, cientes de que este amor é luz, a luz que vos irá guiar para sempre.

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👉🏻 homenagem ao amor, num casamento onde a distância se reduziu pelo afecto e vontade de ficar junto.

 

30
Out22

Superpopulação


“Pessoas a mais tem o mundo”, pensou enquanto agitava o copo de uísque numa mão, na outra, segurava o telefone, aberto numa rede social qualquer.
“Pouco importa. Somos tantos aqui, como somos no mundo virtual.”, pousou o telefone, o scrolling excessivo trazia-lhe a solidão. “Somos tantos… e temos mais stories do que histórias, mais seguidores, que amigos de verdade…”, voltou a pensar, pelos vistos, a mãe terra tornou-se insuficiente e o mundo virtual tem de levar por tabela, coexistindo lá por longos intervalos de tempo.
Acendeu umas velas com cheiro a jasmim e aromatizou o ambiente com bossa nova, de copo na mão, balançava-se sem os pés darem conta, nem o seu cérebro saber.
Adorava finais de tarde, deslumbrava-se com o alilazar do céu, aquele momento egrégio que era o alvo de “regresso à calma”.
Respirava fundo, para se manter presente, cheirar a terra molhada que vinha das janelas abertas; a pele morena arrepiava-se sempre, aquele era o momento destinado à reflexão.
“Será que mais alguém repara na beleza deste céu?”, o cor-de-rosa que, serenamente, se estendia a azul, mesmo acima dos prédios, com as chaminés e antenas a interromperem o cromático de um céu que se prepara para adormecer.
Ao fundo, os fios elétricos do comboio que liga a capital à periferia, uma linha que atrai aglomerados de gente de todas as cores para sobreviverem num sistema onde o dinheiro se multiplica para os ricos, enquanto que para os pobres, o quadro não fica bonito!
Contam-se os tostões que já vão no bolso, porque debaixo da cama passou a ser arriscado. O dinheiro é reproduzido pelo suor do tempo, não há dicas nem magia que recheiem as contas bancárias das vidas destas almas; a finalidade deixou de ser a felicidade, o brilho nos olhos ao acordar, para ser a folga em dígitos numerários assim que se termina os pagamentos das despesas obrigatórias à vida.
Com o dedo indicador retirava os cabelos ruivos que lhe intersectavam a visão “Onde vamos parar?”, pensou, a ocidente matam-se com explosões, um tomo na história. Pólvora ensanguentada que faz banhar os pecadores de um falso poder. Um poder que não existe, pois a imortalidade é invisível e, afinal, todos morremos, somos todos subordinamos do grande mistério da vida e… da morte.
É interrompida pelo som da broca que advinha das obras no andar de cima. O vizinho vai ser pai e julga que aperfeiçoar o apartamento irá trazer maior felicidade à filha que aí vem. 
“Como pode o vizinho achar que a casa fará diferença, quando traz uma criança a um mundo carcomido destes?” E os ecologistas já disseram:
— A superpopulação é um problema sério. - “Mas ninguém quer saber! Nem o vizinho!”
O barulho continuava, “Como odeio apartamentos.”. 
Num só trago bebeu o que restava da bebida, deixou o gelo a tilintar no copo e os pensamentos a marinar no oceano do seu juízo. 
Aquela maré cheia de um mar revolto de reflexões, vazou… até à próxima lua, que num entardecer bonito como aquele, voltará a ganhar ondas de senso e, talvez, quiçá, transformar-se-á em maremoto.
 
👉🏻 poderás encontrá-lo também no blog da @valletibooks REFLEXÕES N°44 - 30-10-2022 e no Spotify do blog da Valletibooks.


Autoria: Tem juízo, Joana
Declamação: Tem juízo, Joana & Carlos Palmito
Produção: @Valletibooks - Luiz Primati
15
Set22

Um possível fim


 

De que nos vale a inteligência ou a força humana, quando comparados à força da natureza?

Num mundo cheio de paisagens, criaram o homem cheio de impureza.

A catástrofe? Foi a ganância.

Os homens obcecados com cifrões e a terra que pisam deixou de ter importância.

Ambição pelo poder, quando o poder é apenas um estatuto.

Usou-se e abusou-se do planeta, julgando-o um recurso inesgotável e absoluto.

A extinção fez a guerra. Homens que se matam por terra.

E, inesperadamente, é a natureza que se revolta, zangada com a humanidade.

Que largou o amor e o ódio anda à solta.

Pela sobrevivência, conseguimos ser abomináveis.

A sentença foram águas salgadas, impiedosas forças inquestionáveis.

Lavaram e levaram as almas pecadoras,

ambiciosas e destruidoras.

Afogaram-se os desejos egoístas, através de um manto salgado, que cessou a vida aos homens, inclusive aos narcisistas.

22
Mai22

Vergonha alheia


Lareira apagada, um fogo que se extinguiu com a humilhação produzida pelas gargalhadas que lhe achincalhavam a imagem. A vergonha estava ali diante dos meus olhos, alheia às cinzas do que outrora foi consideração. Hoje, era vergonha alheia num ambiente gélido e penoso, assim que o fogo se dissipou.

A heterogeneidade dos comportamentos humanos provoca estas rasteiras nos demais, porém o que seria se fôssemos todos iguais?
A vergonha é tão antagónica como ver de olhos fechados. Tanto é o instante que apalpamos o julgamento pela exposição ao ridículo, como é o exercício empático pela vulnerabilidade do outro.

Se esquadrinharmos a vergonha alheia, descobrimos o quão terna é, este sentimento que se expressa pelo primeiro contacto com a desigualdade e imperfeição.
E é então que experimentamos a aceitação das diferentes percepções do “normal” pelo mundo espalhados, das adequações inadequadas sob a nossa perspectiva que nunca é a verdadeira.

Percebemos que o juízo de uns é a falta de tino de outros e que o equilíbrio faz-se desequilibrando.
O fogo volta a atear-se pelo meio das cinzas da vergonha, convicto de que a ponderação é uma travagem brusca para quem ostenta um espírito livre e temperamento ventoso.

—————
👉🏻 também podem consultar este texto no blog da @valletibooks reflexões nº20 (15/05/2022)

24
Fev22

Sentir assimetricamente


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Aqui toda a gente sente que não faz parte, que não integra todos os padrões obrigatoriamente,
Sem um atalho em tom de excepção.
Pelos pingos da chuva seguimos disfarçados de uma normalidade que não existe.
Fizeram coleções de paradigmas em modelos assintomáticos, galgando a concepção do sentir.
Mas,
Aqui toda a gente sente
E toda a gente pressente que existe segundo desigualdades sensoriais,
São as assimetrias que nos tornam especiais.

Como podemos fazer parte
se à parte somos desiguais?
Inventaram o normal,
sem se darem conta que fora dele
se faz arte.
O corriqueiro jamais ostenta
Ou faz brilhar,
São as diferenças no que a gente sente, que se revertem a seres excepcionais.
Estes que, pelos pingos da chuva,
Se ajustam na colectividade
De um normal inventado,
Mas que em mil chuvas se descobre
Que a arte se faz no molhado.
Aqui toda a gente sente
As excepções que intersectam cada ser,
Não se desviem dos pingos!
Deixem-se molhar!
Mostrem as excepções de que são feitos!
Acomodados numa sociedade desarmónica,
Entre o dia e a noite,
A arte passará a ser a essência que se respira.
Aqui toda a gente sente
Que é no sentir que o mundo gira.
.
Publicado no Blog - Reflexão nº6 (06/02/2022) da editora @valletibooks
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🎨 Imagem de um pedaço de uma tela de tecido (60x40) pintada por mim em acrílico, de nome - desarrumetria.

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