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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

22
Mai22

Vergonha alheia


Lareira apagada, um fogo que se extinguiu com a humilhação produzida pelas gargalhadas que lhe achincalhavam a imagem. A vergonha estava ali diante dos meus olhos, alheia às cinzas do que outrora foi consideração. Hoje, era vergonha alheia num ambiente gélido e penoso, assim que o fogo se dissipou.

A heterogeneidade dos comportamentos humanos provoca estas rasteiras nos demais, porém o que seria se fôssemos todos iguais?
A vergonha é tão antagónica como ver de olhos fechados. Tanto é o instante que apalpamos o julgamento pela exposição ao ridículo, como é o exercício empático pela vulnerabilidade do outro.

Se esquadrinharmos a vergonha alheia, descobrimos o quão terna é, este sentimento que se expressa pelo primeiro contacto com a desigualdade e imperfeição.
E é então que experimentamos a aceitação das diferentes percepções do “normal” pelo mundo espalhados, das adequações inadequadas sob a nossa perspectiva que nunca é a verdadeira.

Percebemos que o juízo de uns é a falta de tino de outros e que o equilíbrio faz-se desequilibrando.
O fogo volta a atear-se pelo meio das cinzas da vergonha, convicto de que a ponderação é uma travagem brusca para quem ostenta um espírito livre e temperamento ventoso.

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👉🏻 também podem consultar este texto no blog da @valletibooks reflexões nº20 (15/05/2022)

24
Fev22

Sentir assimetricamente


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Aqui toda a gente sente que não faz parte, que não integra todos os padrões obrigatoriamente,
Sem um atalho em tom de excepção.
Pelos pingos da chuva seguimos disfarçados de uma normalidade que não existe.
Fizeram coleções de paradigmas em modelos assintomáticos, galgando a concepção do sentir.
Mas,
Aqui toda a gente sente
E toda a gente pressente que existe segundo desigualdades sensoriais,
São as assimetrias que nos tornam especiais.

Como podemos fazer parte
se à parte somos desiguais?
Inventaram o normal,
sem se darem conta que fora dele
se faz arte.
O corriqueiro jamais ostenta
Ou faz brilhar,
São as diferenças no que a gente sente, que se revertem a seres excepcionais.
Estes que, pelos pingos da chuva,
Se ajustam na colectividade
De um normal inventado,
Mas que em mil chuvas se descobre
Que a arte se faz no molhado.
Aqui toda a gente sente
As excepções que intersectam cada ser,
Não se desviem dos pingos!
Deixem-se molhar!
Mostrem as excepções de que são feitos!
Acomodados numa sociedade desarmónica,
Entre o dia e a noite,
A arte passará a ser a essência que se respira.
Aqui toda a gente sente
Que é no sentir que o mundo gira.
.
Publicado no Blog - Reflexão nº6 (06/02/2022) da editora @valletibooks
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🎨 Imagem de um pedaço de uma tela de tecido (60x40) pintada por mim em acrílico, de nome - desarrumetria.

13
Out21

Agridoce


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E, como na vida, este sabor reporta-me para a mistura agridoce intrínseca, pois todos nós levamos dentro uma mistura inquietante de bem e de mal, de doce e salgado.

Todos nós conhecemos a felicidade e o amor, mas, por vezes, escolhemos estar tristes e angustiados. Sabemos ser honestos e sinceros, como na mesma frase, lançamos uma mentira e somos hipócritas.

E está tudo bem! Neste universo de bipolaridade cósmica, há que conhecer e experienciar o mau, para saber usufruir do bom. Afinal, o salgado e o doce também existem sozinhos.

Dos meus sabores de eleição, somos essa mistura complexa e inconstante. Do prazer à tortura, somos o que escolhemos ser nos contextos onde estamos inseridos.

Como o agridoce, somos esse mesmo equilíbrio, utilizamos essa sensação de forma inteligente para acrescentar valor culinário a um prato. Transportando essa aglutinação entre o bem e do mal para a nossa jornada e Eu interior, conseguimos, com sabedoria, utilizá-la de forma positiva.

E, reparem como o agridoce se pode comprovar numa das melhores experiências gastronómicas!

Imagem por: @stella_maria_gaspar

 

03
Out21

Pediram-me para falar de Amor


Eu falo de Amor, mas falo de um Amor que não é o amor que se fala por aí.

O que eu acho ser Amor vai mais para além das barreiras egocêntricas de um amor a “pares”. Confundem-no com o amor romântico, o das películas de um romance, mas não é. Este amor, que me pediram para falar, cheira a maresia, é mais do que o desejo entre corpos, é mais do que a atração química de almas, é uma maresia que se inspira e nos invade todas as células do corpo. Eu explico-vos o que é o Amor.

Quem espera amor, amor terá de ser. Para sermos amados, amáveis temos de nos tornar. E ser amável não é procurar o Amor, mas sim encontrá-lo. Onde? Em nós.

Teremos de ser essa maresia altruísta, de um amor universal que aceita todos os seres do jeito e com a liberdade de que são feitos.

Ser amor é saber amar em qualquer circunstância. É dar espaço para ser, saber ser sozinho, saber amar sozinho, o amor próprio, sabem? Depois de ouvir todas as células do nosso corpo, depois de amar todos os contornos da nossa alma, estamos capazes de amar reciprocamente.

Este amor que trago hoje é um aliado ao crescimento individual e ao do outro.

É um de um Azul-turquesa gentil, feito de sorrisos no coração, mas nunca perdendo o seu próprio sorriso. Ele é disciplinado e suave. Dócil e astuto. Empático e mentor.

É saber ser uma extensão do outro, sem nunca perder a identidade.

É um elo ao desenvolvimento espiritual. Amar é ter prazer e ser colaborante no desenvolvimento positivo e individual do outro.

Só isso poderá ser Amor. Porque o verdadeiro Amor não cabe em 4 paredes de uma relação, não sabe estar entre os limites do nosso ego. Amor é tão mais que isso. O Amor é uma religião. A minha religião. Mas há religião que seja nada mais do que Amor? Ter fé que o Amor está na base de todos os valores morais da humanidade? É reconhecer o outro como uma parte integrante deste mundo, que tivemos a graça de encontrar e, por isso, de poder respeitar, de poder amar como tal, como tão simplesmente é.

O Amor que vos descrevo hoje, é o Amor, o único, em que acredito.

13
Set21

Que sabes?


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Certo ou errado.

Sabem? Não, não sabes.

Que sabes tu?

Que sabemos nós?

Espalhar o bem,

Dissimular o mal.

Mas o que é o mal?

E o que é o bem?

Conhecemos a diferença?

Pelos olhos do outro, que diferença tem?

Pouco sabemos.

Sabemos o que sentimos,

Mesmo não sabendo,

Sentindo somos.

E o que sentes tu?

O que sabemos nós do que sentimos?

Por vezes, nada sabemos.

Ainda assim, sentimos.

E quem sente, o é.

Verdadeiros ou falsos?

Mas somos.

Quando ser é mais que saber.

Somos, mesmo não sabendo

O que realmente somos.

Entre o certo e o errado,

E variadas definições do bem e do mal,

Nada sabemos sobre a verdade.

E a minha verdade,

não é a mesma que a  tua.

Nada sabemos, de verdade.

Num confuso remoinho

Entre ser, saber e sentir,

Sabemos que somos,

Aquilo que sabemos sentir.

E o que sentimos,

Aparentemente, parece-nos ser

A nossa verdade.

 

Poesia sobre o tema "saber" para  página Um tema um poema

 

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