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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

12
Dez21

Insulto perverso


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Era vapor que te saía pelos poros, sentias o pulsar do coração na garganta, contraía-se todo o corpo, como se a impulsionar o sabor a fel até à tua boca. Com os maxilares solidamente cerrados e a visão a fazer-se turva a cada pico de adrenalina, deixaste-te cegar pela raiva.

Uma fúria escusada que nasceu na impotência de querer mudar as pessoas e o mundo. Não consegues! Entende de uma vez por todas, nem todos trajam o mesmo coração que tu. Exactamente por existirem tantas insuficiências nos corações que palpitam por aí, não deixes que brinquem com o teu. Não deixes que o peguem, suguem-lhe a água benta corrente no sangue e o pontapeiem como se ele resistisse, golpe após golpe, esquecendo o amor que lhe beberam.

Deixaste-te prostrar perante uma situação de injustiça, de ingratidão. Atropelaram-te, com espantoso descaramento, a compaixão, a gentileza, a generosidade. Insultaram-te o humanitarismo como quem te esbofeteia a estima.

Um descontrolo visceral manifestado num firme autodomínio, alienígena da língua habitualmente aguçada e bárbara, com um minucioso distanciamento da alma selvagem e impulsiva onde costumas morar.

Torna-se doloroso aprender assim. Não dissipes essa energia dourada com quem é daltónico, tão-pouco serão capazes de distinguir o arco-íris que pinta o teu amor.

Mas isto não te define, não és este dilatar enfurecedor prestes a eclodir. És arte, és as pessoas que amas, e, de mais a mais, és a razão dessa reciprocidade.

 

Imagem por Jan Koppriva, em pexels.com

17
Nov21

Leio-te na nudez como um livro


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Oceano é a imensidão que tens, consegues ser por marés todo o mar que levas dentro. Tanto és maré cheia na graciosidade, de sorrisos fáceis e corais coloridos, como és maré baixa quando na tristeza do silêncio te reconstróis. É nesse espaço que te escreves, de pés descobertos, onde consegues vislumbrar todo o arial dourado de que és feita. Conheces-te os defeitos, esmiuças-lhes as causas e, a partir daí, desenvolves a tua solidez, quase como uma rocha, para assim poderes regressar ao mar alto.

Distingues-te dos demais pelo coração que levas na boca e, tal como na boca, levas-lo na ponta dos dedos, como na mira dos teus olhos. Intensamente, ferves de amor, mas, do mesmo jeito, fervilhas na impulsividade da fúria, em palavras irreflectidas que nada mais querem demonstrar, se não a tua inquietude pela ingratidão, desrespeito e desumanidade. E pecas, pecas muito… por achares que sozinha és capaz de mudar um mundo que está completamente seco de empatia e apodrecido nas suas raízes, um solo infertil para pessoas como tu.

Reconheces tudo aquilo que és, entre o bom e o mau, um equilíbrio regrado, onde ditas as próprias regras. Só sabes ser assim, com uma leveza de dente-de-leão, que deixa o vento levar o que ruim é e guarda apenas o que é bom de guardar.

Nesta forma, despida do que querem que sejas, eu vejo-te inteira nesta perfeita complexidade. A tua intuição é crua, sem segundas intenções, de alma castiça e tão cristalina, inspiras a tua verdade, deixando-la bem armazenada ao peito. Mesmo vestida, mostras-te nua aos meus olhos, daquela nudez que fica na memória.

📸 por Catarina Alves - @freezememories

04
Nov21

Miserável


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Hoje vai ser duro. Os olhos vão-me inchar, dormirei pouco e toda a minha cara será duas enormes pálpebras luzidias em cima dos olhos vermelhos.

Sim, é duro. Há dias que é duro existir. Questiono-me sobre o que faço aqui? Porque estou aqui? Para quê? E dói não ouvir respostas. Procurá-las e perceber que não existem. Ou existem muitas, mas qual será a certa? Ou qual será a minha? É duro ter dias melancólicos. Ter de lidar com a tristeza e amargura, é para valentes. E, às vezes, não sou portadora dessa valentia.

Os soluços continuam, uns atropelados nos outros, só porque sim. Porque tem de ser! A mente ditou-me a sentença de hoje: ser minúscula e sentir-me miserável. Et voilá.

Ardem-me os olhos e respiro fundo. Sinto o abandono, choro de novo. Ninguém me ouve, nem quero que me oiçam. Não quero? Sei lá o que quero. Choro com a solidão a gelar-me as unhas. Nada me serve, só o vazio me cabe e mesmo esse fica a boiar nas entranhas da minha alma. Tenho um sabor salgado na boca, enxugo a cara. Doem-me os olhos! Doí-me todo este sentir, sinto-me podre.

Hoje foi duro.

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imagem de Rachel Claire on Pexels

 

 

 

 

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