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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

05
Dez21

Detalhes


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Com as unhas vou riscando o couro deste velho sofá onde estou sentada. É uma herança de família, está gasto, sinto-lhe o rugoso dos pequenos pedaços de couro ainda resistentes e o cheiro a pele antiga, ainda assim continua a ser o meu local preferido.

Aqui, reflito, às vezes escrevo, enquanto observo o verde florestal lá fora através das vitrines. É um espaço sossegado, acolhedor e coberto de natureza.

A lareira está acesa, que conforto! O calor aquece-me como uma manta felpuda, oiço o estalar da lenha, que alegremente fui buscar pela manhã.

Abro uma garrafa de vinho, desta vez escolhi Grous, um vinho Alentejano que nunca me desilude. Encho o copo e, enquanto o deixo repousar, vou à lareira dar um jeito, pois o lume está a desvanecer. Ajoelho-me no tapete grosso que coloquei lá perto para me proteger as articulações e o chão de madeira envernizado.

Volto para o sofá e dou um generoso gole no vinho, saboreio-o, sabe-me sempre ao mesmo sabor encorpado, com o Alentejo nas memórias. Deixo o sabor frutado escorregar garganta abaixo e alcoolizar-me o sangue.

Aprecio a paisagem e deixo-me ficar tranquila, embrenhada nos meus pensamentos.

 

21
Set21

Um post!


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ʚ Aquela pressão de fazer um post sem ter nada sobre o que escrever... Sabem?

Ahhhh, mas não te vás embora daqui, tenho tanta coisa para te contar!

ʚ Vem comigo, que tenho de escrever um post!

"Ganha juízo, Joana!", já dizia a minha mãe. Mas qual? Onde vou buscar disso? 

Tenho o cérebro a dar um nó e ainda nem uma palavra de jeito escrevi.

Vamos lá, querida noz, aí em cima, por baixo dessa grande cabeleira despenteada, põe-te a trabalhar, dá-me um tema importante, um tema urgente!

Há regras para cumprir, tempos para acertar, criatividade para extrair e... Puff!

ʚ Pressionada por fazer um post, para vocês não me fugirem, para não se esquecerem de mim. Pressionada por fazer um post com sentido, com princípio, meio e fim. Pressionada por fazer um post segundo as novas dicas do curso de escrita criativa. Fazer um post importante, que vos faça ficar por perto. E no fim, que vos trago hoje? Absolutamente nada! Têm dias assim? 

ʚ Quero acreditar que, desse lado existe quem realmente goste de me ler, que se conecte comigo, que sinta da mesma forma que eu, mesmo quando as palavras me fogem para conseguir chegar até vós.

"Para quê ter juízo, minha mãe?", se este mundo anda louco como eu!

 

P.S - Perder tempo a ter juízo? Prefiro perdê-lo!

P.S nº2 - E depois demorar um pouco para o encontrar! 

 

22
Jun21

Na intimidade


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Intimidade, quando nos despimos e ficamos a sós com a nossa pele, com o corpo. Intimidade de poder espreitar a pele e corpo do outro, sem julgamentos ou preconceitos.
E gostamos de nos perder na pele dos outros. Nos corpos dos outros. Numa intimidade tão peculiar, tão única de corpo em corpo. Como se cada corpo fosse uma história, criamos história em cada pele. De intimidades diferentes, com cheiros e sabores próprios.
E o prazer que é pele na tua pele?


Atrevo me a dizer que o q dá prazer é o sexo, mas ainda mais prazer dá o sexo com intimidade. Porque é na intimidade que assumimos as mais variadas personagens, satisfazemos fetiches possuídos pelos animais que vivem em nós, que fazem parte do mais obscuro e selvagem de nós.


No sexo, somos da nossa real natureza. Na intimidade, misturamos essa natureza com as sensações arco-íris que vêm do coração. Atrevo-me a dizer que a intimidade dá prazer, se formos animais de coração na boca e paixão no olhar. Atrevo-me a dizer que o sexo sem a intimidade de nada vale, a não ser para satisfazer necessidades carnais. A intimidade vem adornar a carne, dar-lhe o sal e a pimenta, para se comer tenra e com mais sabor.

A intimidade vem decorar os contornos dos corpos, descobrir o que faz arrepiar a pele e, mesmo sem maneiras, lambuzar os prazeres escondidos nos vários lábios imorais e extensões voluptuosas que compõe o nosso ser.

21
Mar21

No velho mar


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“Todas nós estamos presas a compromissos em terra. Ainda assim, o velho mar chama-nos a todas. Todas teremos de regressar” in mulheres que correm com os lobos - Clarissa pinkola estés.

No velho mar, aquele lugar mágico, secreto, nas profundezas do ser, vou fazendo umas visitas. Às vezes pontuais, outras vezes mais prolongadas.

No velho mar, reconstruo-me, faço castelos na areia, de muralhas altas para me proteger. É no som do velho mar, na estrutura das muralhas que vou buscar força. Sou força. Ninguém a é por mim. É lá que escrevo os meus pensamentos, reflito as emoções, o que sou e é lá que o velho mar também as leva. Numa relação de dar e receber. Dou de mim para receber clareza, força e consistência. É lá que vivo algumas estações do ano, é lá que guardo as minhas etapas, é lá que me acolho no tudo o que fui que acompanha tudo o que sou.

Do velho mar saio reerguida, cabelos cheios de sal, cristais do meu desenvolvimento, numa pele brilhante que reluz o amor que recuperei.

Um lugar encantador, que regresso de vez em vez aos pedaços. E de todas as vezes volto inteira.

27
Fev21

De um poder absoluto


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Num turbilhão de história, de evolução, criaram-se etapas, conceitos, regras, criaram-se sequências comportamentais intituladas como "normais" ou "habituais", foram determinadas fases de vida onde é suposto acontecer isto ou aquilo.

Na imensidão do que é ser, definiu-se o que é certo e o que é errado, sem contextualização.

Questiono-me que sentido faz alguém ter a capacidade divinal de distinguir o certo do errado, num mundo cheio de adversidades e diferenças. Quem foi esse alguém que determinou o que é certo ou errado para mim, que me indicou os caminhos mais corretos. Quem?

Achamos que temos poder de escolha, mas em certa parte, não o temos. Somos ovelhas que seguem o rebanho, o da sociedade, com os valores, princípios e regras previamente estabelecidos. Quem foge ao rebanho é visto como esquisito ou louco. Que sistema de justiça é este que faz da abrangência de todos os seres, um contrato com pré-requisitos próprios?

As etapas e as fases da vida humana foram de tal forma enraizadas na medula óssea das pessoas, que deixaram de haver relógios biológicos, para serem substituídos por alarmes. Deixamos de ser surpreendidos pela magia do amor, para procurarmos descomedidamente um par para partilhar a vida. Tomámos a solidão como algo errado, para nos fazermos rodear de tudo e todos. Perdemos a audição para o nosso interior, para ouvirmos as vozes que vêm de fora e nos dizem o que devemos fazer, porque é assim. É assim que a vida funciona, porque alguém a pôs a funcionar assim, em massa.

É como jogar um jogo onde alguém, de um poder absoluto, já te ditou as regras.

Mas, trata-se de uma vida. Trata-se da minha vida, da tua, das nossas vidas, que tivemos a sorte de ter esta oportunidade. De poder sentir a vida.

A "grande" sorte de nascermos já limitados a regras, a princípios, a conceitos onde temos forçosamente de encaixar.

foto by Catarina Alves - @Freezememories_

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