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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

03
Ago25

A idade é um número


A idade é um número que o tempo inventou. Porque o ser humano gosta de ter tudo contado, até o tempo do corpo.

Não sei quantos corpos já tive, se a minha alma é feita de tempos que nem a minha mente alcança, dá-me vertigens pensar como cheguei até aqui.

Neste corpo, sou uma mulher feliz! Gosto de lutar pelos meus direitos, e agora pelos da minha filha. Gosto não… TENHO DE!

Ás vezes, sinto que o meu propósito é maior que eu. Isso, ao mesmo tempo que me assusta , traz-me a força de mil homens e a generosidade dos mil e um corações de que sou feita. Contudo, sofro por pensar que posso não ser capaz. Desiludir.

Gosto de comer, especialmente polvo, chocolate e pad Thai. Gosto de escrever sobre o meu mundo, para que possa desembrulhar e interpretar o fluxo do sangue que me faz sentir o que respiro da minha verdade.

Deixei de ter o controlo do mundo e o mais fascinante — é que foi pelas mãos pequenas de quem já sabe dizer o meu nome, com a certeza de quem manda.

O egoísmo deu lugar ao amor incondicional, que nunca se cansa, nunca acaba, nutrido de energia infinita sem saber como, nem porquê. Ela comanda até as rotas do meu pensamento, vivo através dela e, por vezes sem me sentir. Redescobrir-me tem sido uma missão difícil, como todas as que demandam crescimento. Esbravear espaço e tempo numa agenda materna é tarefa de guerreira exímia, sob o olhar julgador de quem acha que o faz melhor.

Eu ainda gosto de ser criança, de me deslumbrar, de olhar o mundo com os óculos do amor, mais agora que tenho quem me acompanhe. Isso não me faz irresponsável, mas sim uma alma inteira — inteira para amar, para rir alto, para inventar mundos debaixo das mantas, para transformar rotina em magia e constatar que o tempo foi inventado a uma velocidade desproporcional para quem gosta de viver presente.

Sou feita de gargalhadas e cuidado, de colo e tempestades, de histórias contadas com os olhos a brilhar, de canções cantaroladas no silêncio perfumado de mãe.

A minha criança interior não me distrai do meu papel, ela guia-me, lembra-me do que é essencial. A minha alegria não é distração — é resistência. O meu riso não é descuido — é abrigo. O amor com que te educo não é leve — é imenso, é escolha diária. Porque ser mãe, para mim, é ser raiz e vento, porto e aventura, é saber cuidar sem apagar a luz que me acende. E quem melhor para criar um pequeno universo, do que alguém que ainda acredita que o mundo pode ser encantado?

O mundo está um lugar perigoso, há dias que temo e questiono se de nada valerá tanto esforço. Se continuar a acreditar na luz, fará diferença quando tudo parece escuro. Mas se o mundo é duro, que em casa haja ternura. Se lá fora é guerra, que em nós haja dança e um pedaço de infância que ninguém nos roube.

 

Hoje, mais um 2 de Agosto, mais um “parabéns a você” cantado em plenos pulmões, mais um ano, mais passos dados, às vezes firmes, às vezes tropeçados, mas sempre com o coração inteiro.

Quero deixar o meu legado, não só para o corpo que virá depois, mas para ti, que me tornaste imensa, que me fizeste espelho e céu aberto.

Lembrar que o essencial vive nos gestos que se repetem com doçura, nas palavras que abraçam, na liberdade de seres quem és, sem medo.

Porque crescer não é só envelhecer. É saber onde dói, e ainda assim avançar. É não precisar ser eterna — mas ser inteira.

E no fim de tudo, quando tudo em mim se cala, será sempre o amor que resiste.

31
Jul25

Não me quero simples


Gostava que fosse simples.

 

Que pudéssemos abrir as asas…

e voar.

 

Dar corda aos sapatos,

correr até o vento virar brisa,

abrir a boca,

cantar alto,

arregalar os olhos,

devorar todos os livros do mundo.

 

Dar o peito.

E amar. Sem fim.

 

Gostava.

 

Que fosse simples.

 

Mas não é.

 

As minhas asas perderam a impermeabilidade do que é bárbaro.

Já não sei se deixei de voar…

ou se voar… deixou de me querer.

 

Os sapatos tropeçam no tempo.

 

E o vento?

 

Deixei de o sentir há muito pela

correria de tudo

E todos

Menos a minha.

 

A hipocrisia secou-me as cordas vocais.

Passei a sussurrar,

só pra não dizer o que

tanto

deveriam querer ouvir.

Mas não importa.

Deixou de importar.

Quando os meus olhos só te veem a ti…

E o meu peito

só sabe estar

junto do teu.

 

Oh, simples…

Houvessem mil livros no mundo que eu quisesse ler…

Tu nunca serias todos eles

A vida não se resume a um voo,

mas a muitos.

Com quedas pelo caminho,

ora ventoso,

ora quente como um deserto árido e seco.

 

Tu não és o que dizem.

Não és.

Não existes.

 

Se existisses…

Virias descomplicar as mentes dissimuladas,

simplificar oceanos

de multidões

sedentas de poder,

devolver a calmaria aos gestos violentos,

sarar o afeto

com abraços de compaixão

e empatia,

retornar o som aos ouvidos

de quem já não sabe

o que é escutar.

 

Mas não vieste.

Nunca coubeste neste (i)mundo.

 

 

— Sim!

Fui teu, Simples.

Simples, assim.

 

Mas foste tu que me inventaste.

Pra te desculpares das salvações que nunca chegaram.

 

Das culpas que arrumaste nos outros.

Menos no que te vem de dentro.

 

Sou uma fraude?

Ou és tu?

 

Eu nunca fui feito pra durar, menina.

Fui invenção da tua criatividade —

bela,

inesperada,

pronta p’ra se procrastinar.

 

Nada é simples.

Eu não sou nada.

E tu?

 

Ficas-te com nada nas mãos.

Desarmada.

Sem culpas.

Ou desculpas.

És complicada.

Serás sempre.

Porque eu vivo na natureza —

e enquanto não fizeres parte dela…

nunca

me

entenderás.

 

— Sou filha de Gaia, Simples!

Simples assim!

 

A mim, não me venhas tu com essa conversa!

És o resultado da tua própria cobardia,

dessa visão mansa

que os homens usam p’ra fugir de si.

 

Sou filha de Gaia.

Confronto.

Intuição.

Sangue e sal.

Conectada.

 

Se nunca te entenderei —

então ninguém

te entenderá.

 

Violentos, cegos, porcos!

 

Tens de te misturar,

fazer-te valer,

se não…

pra que serves?

 

Simples não tem peso,

consistência,

ou sangue.

 

Viver dói.

Amar,

dói.

A realidade dói.

Porque se sente.

E sentir…

não pode ser simples.

Que verdade tens tu,

se nada sentes?

 

Eu sou feita de dor e cura.

De raiz

e nuvens.

De sementes

e de noite.

 

Não me quero simples.

Quero-me inteira.

Com o bonito…

e com as partes feias.

Com os dias em que não sei nada.

Os silêncios pesados.

Os medos que ninguém vê.

 

Quero-me com toda a complicação que sou.

Ser filha da lama

e da luz.

Não me envergonho do caos.

Só ele me faz crescer.

 

Eu não quero o simples,

Quero a verdade,

Aquela que sangra

Aquela que salva!

01
Jan25

Reflexão 2024-2025


2024 foi uma lição sobre paciência, resiliência e amor incondicional. Foi um furacão de emoções, descobertas e desafios. Onde o cansaço e a alegria se misturaram em doses intensas, num ritmo de vida que exige entrega total.

 

Há uma magia especial no crescer… um riso atrás do outro, os passos atrapalhados, a inocência e, o que mais me encanta o coração, o espanto! Porque à medida que crescemos vamos perdendo-o… deixamos que o olhar se torne opaco diante do extraordinário que existe no quotidiano, quando as surpresas do mundo já não nos tocam mais, porque vivemos presos à repetição e à pressa.

A minha filha devolveu-me esse espanto e, de repente, tudo se tornou num lembrete de que o tempo é passageiro, mas os momentos são eternos.

Então, 2024, ensinou-me que a vida não é sobre perfeição, mas sobre presença.

 

Que 2025 me dê a mesma força para me renovar por entre os seus quatro dentes de cima e três em baixo, que os veja muitas vezes por entre as bochechas mais deliciosas que conheço. Que eu veja os dias pelos olhos dela e que os seus passos me ensinem a caminhar devagar.

Que este seja o ano de me reencontrar, de ter tempo para ouvir os sussurros de quem sou, nos silêncios roubados entre um dia e outro. De desacelerar sem culpa, de me dar pausas como presentes, de me lembrar que não preciso correr para ser suficiente.

Em 2025 quero voltar a olhar para o amor como quem o vê pela primeira vez, como se fosse uma nova história – antiga, mas viva. Que o riso partilhado seja o fio que nos entrelace.

E… quero todos comigo! Que cada abraço seja um pedaço de casa e que juntos celebremos tanto o simples, o grandioso como tudo o que a vida nos der para dividir.

 

Por viver com inteireza, hoje abraço o simples e verdadeiro, sabendo que, no fundo, tudo o que realmente importa é estar presente.

 

Vem-te dois mil e vinte e cinco!

14
Ago24

Há de NÃO haver


Há o vento quente que não refresca,

há uma faca afiada num corte agudo e doloroso,

há um deserto com sede

e uma porta sempre fechada.

Há as chicoteadas que ficaram na pele calejada,

há o barulho aterrador ecoado nestes ouvidos surdos,

crentes na esperança,

na fé que mora nos olhares brilhantes.

Há uma culpa sem fundo

que não sabe ler,

que me trespassa o terceiro olho como uma flecha.

Há a mágoa de tanta pele esfolar,

de memórias que se afundaram,

de golpes calados pela paz clandestina,

e de vivências ressequidas, esquecidas ao sol,

com sabor a fel, a azedo,

de um amor outrora correspondido,

mas… cruel.

 

Hoje somos nada.

Cinzas, talvez.

Há a sombra de uma mancha negra que se forma no peito,

prova das nossas mãos dadas e cantigas até faltar o ar.

Há o rasto seco de lágrimas que correram anos,

sem um único amparo.

Lágrimas ignoradas pelo ego dominador

de quem tem óculos, mas não pensa ver,

de quem tem coração, mas não pensa amar…

Há uma raiva asfixiada,

pelas raízes quentes do chão de uma casa.

 

Depois há o silêncio.

E depois do silêncio uma pomba branca.

 

E depois o luto…

 

Há o vazio, sem nada para preencher,

porque só o meu amor sobra

neste desgosto sem desculpa,

neste mistério de mil razões que desconheço…

Ou que, simplesmente, não consigo compreender.

18
Jul24

Somos nada


Somos pedaços de coisas e coisas cheias de pedaços.

Somos rasgos de dor, ardor, somos dores rasgadas, laceradas, cortadas.

Somos gritos, pele, cabelos, somos tudo e nada.

Somos recortes, cortes, fusões, colagens…

Somos o mar, as árvores, flores, somos reutilizados ou reciclagem…

Somos a paz, o céu, as tempestades, chuva, guerras e granada.

Somos tudo, mas não somos nada.

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