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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

28
Mar22

Dá-me luz!


Guia-me por entre o emaranhado confuso das linhas sobrepostas e entrepostas da vida. Indica-me o caminho, o mais certo. Se não o mais certo, o mais adequado à minha essência.

Diz-me o propósito. Só um, basta-me um! E, prometo tentar-me alinhar com ele. Prometo, seja o que me propuseres, o meu empenho e dedicação. Mas, dá-me um sinal!

Preciso de um salva-vidas, para me manter à tona. Preciso de voltar a respirar oxigénio, daquele puro, capaz de intoxicar os pulmões mais sujos, por partículas cristalinas da dignidade. Sê a minha lufada de ar, resgata-me para a clarividência.

Dá-me luz, quente o suficiente para a alma. Desobstrui-me a mente e faz, das minhas sinapses, um bonito fogo de artifício. Faz-me dessa arte e asseguro que serei portadora de luz para o mundo. Com a honra ao peito, propagarei esse lampejo pelas várias multidões, como um clarão fugaz.

 

Texto publicado no blog da Valletibooks

Reflexões nº9 dia 27/02/2022

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Recitação na página de instagram @temjuizo_joana

 

05
Dez21

Detalhes


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Com as unhas vou riscando o couro deste velho sofá onde estou sentada. É uma herança de família, está gasto, sinto-lhe o rugoso dos pequenos pedaços de couro ainda resistentes e o cheiro a pele antiga, ainda assim continua a ser o meu local preferido.

Aqui, reflito, às vezes escrevo, enquanto observo o verde florestal lá fora através das vitrines. É um espaço sossegado, acolhedor e coberto de natureza.

A lareira está acesa, que conforto! O calor aquece-me como uma manta felpuda, oiço o estalar da lenha, que alegremente fui buscar pela manhã.

Abro uma garrafa de vinho, desta vez escolhi Grous, um vinho Alentejano que nunca me desilude. Encho o copo e, enquanto o deixo repousar, vou à lareira dar um jeito, pois o lume está a desvanecer. Ajoelho-me no tapete grosso que coloquei lá perto para me proteger as articulações e o chão de madeira envernizado.

Volto para o sofá e dou um generoso gole no vinho, saboreio-o, sabe-me sempre ao mesmo sabor encorpado, com o Alentejo nas memórias. Deixo o sabor frutado escorregar garganta abaixo e alcoolizar-me o sangue.

Aprecio a paisagem e deixo-me ficar tranquila, embrenhada nos meus pensamentos.

 

10
Nov21

Sensualidade triangular


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Se não fosses tão ousada, não terias esse formato triangular que esconde mais pele à frente do que atrás. Roçaste nas entranhas íntimas desse corpo destemido, dando-lhe sensualidade e audácia.

Na gaveta ficas-te por uns dias bem dobrada e aborrecida, só és escolhida para eventos heróicos de luxúria.

Quando ela te veste, gostas de te adaptar às curvas do seu corpo e sentes, por entre os fios de renda por que és cozida, o amor-próprio que lhe evidencias.

Passas o dia junto às suas partes íntimas. Sentes-lhe os odores carnais, molhas-te com os fluidos e, por vezes, tocam-te uns dedos, ora os dela, ora dele. Despem-te bruscamente, atirando-te ao chão ou devagar com delicadeza e assim ficas, a ouvir o êxtase lá fora.

Dali, levam-te para a máquina de lavar onde te encontras com as outras peças de roupa para mais um banho de imersão.

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Imagem por: Catarina Alves - freezememories_

 

04
Nov21

Miserável


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Hoje vai ser duro. Os olhos vão-me inchar, dormirei pouco e toda a minha cara será duas enormes pálpebras luzidias em cima dos olhos vermelhos.

Sim, é duro. Há dias que é duro existir. Questiono-me sobre o que faço aqui? Porque estou aqui? Para quê? E dói não ouvir respostas. Procurá-las e perceber que não existem. Ou existem muitas, mas qual será a certa? Ou qual será a minha? É duro ter dias melancólicos. Ter de lidar com a tristeza e amargura, é para valentes. E, às vezes, não sou portadora dessa valentia.

Os soluços continuam, uns atropelados nos outros, só porque sim. Porque tem de ser! A mente ditou-me a sentença de hoje: ser minúscula e sentir-me miserável. Et voilá.

Ardem-me os olhos e respiro fundo. Sinto o abandono, choro de novo. Ninguém me ouve, nem quero que me oiçam. Não quero? Sei lá o que quero. Choro com a solidão a gelar-me as unhas. Nada me serve, só o vazio me cabe e mesmo esse fica a boiar nas entranhas da minha alma. Tenho um sabor salgado na boca, enxugo a cara. Doem-me os olhos! Doí-me todo este sentir, sinto-me podre.

Hoje foi duro.

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imagem de Rachel Claire on Pexels

 

 

 

 

03
Out21

Pediram-me para falar de Amor


Eu falo de Amor, mas falo de um Amor que não é o amor que se fala por aí.

O que eu acho ser Amor vai mais para além das barreiras egocêntricas de um amor a “pares”. Confundem-no com o amor romântico, o das películas de um romance, mas não é. Este amor, que me pediram para falar, cheira a maresia, é mais do que o desejo entre corpos, é mais do que a atração química de almas, é uma maresia que se inspira e nos invade todas as células do corpo. Eu explico-vos o que é o Amor.

Quem espera amor, amor terá de ser. Para sermos amados, amáveis temos de nos tornar. E ser amável não é procurar o Amor, mas sim encontrá-lo. Onde? Em nós.

Teremos de ser essa maresia altruísta, de um amor universal que aceita todos os seres do jeito e com a liberdade de que são feitos.

Ser amor é saber amar em qualquer circunstância. É dar espaço para ser, saber ser sozinho, saber amar sozinho, o amor próprio, sabem? Depois de ouvir todas as células do nosso corpo, depois de amar todos os contornos da nossa alma, estamos capazes de amar reciprocamente.

Este amor que trago hoje é um aliado ao crescimento individual e ao do outro.

É um de um Azul-turquesa gentil, feito de sorrisos no coração, mas nunca perdendo o seu próprio sorriso. Ele é disciplinado e suave. Dócil e astuto. Empático e mentor.

É saber ser uma extensão do outro, sem nunca perder a identidade.

É um elo ao desenvolvimento espiritual. Amar é ter prazer e ser colaborante no desenvolvimento positivo e individual do outro.

Só isso poderá ser Amor. Porque o verdadeiro Amor não cabe em 4 paredes de uma relação, não sabe estar entre os limites do nosso ego. Amor é tão mais que isso. O Amor é uma religião. A minha religião. Mas há religião que seja nada mais do que Amor? Ter fé que o Amor está na base de todos os valores morais da humanidade? É reconhecer o outro como uma parte integrante deste mundo, que tivemos a graça de encontrar e, por isso, de poder respeitar, de poder amar como tal, como tão simplesmente é.

O Amor que vos descrevo hoje, é o Amor, o único, em que acredito.

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