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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

25
Ago25

Um pântano não é um pantanal


Um pântano não é um pantanal.

Uma parte não define o todo.

E o todo é feito de tantas partes que já nem sabe de onde veio.

 

Onde tudo parece estagnar, a vida insiste em florescer.

O pântano esconde raízes retorcidas, lama que engole caminhos,

nevoeiro que turva os olhos.

Terra de sombras e silêncios pesados — terra de resistência.

 

No pantanal, os rios correm largos e livres,

a vida explode em cores,

o horizonte abre-se: vasto, fértil, luminoso.

 

Um pântano não é um pantanal.

Que parte poderá ser o todo?

Que lamas poderão manchar os teus pés,

se os teus passos não se medem pela sujidade que carregas entre os dedos,

mas pela firmeza com que escolhes avançar?

 

O pântano não te define.

Ninguém sabe a grandeza do que és.

És pantanal:

terra generosa, fonte que transborda, vida em expansão.

 

Os pântanos podem provar a tua força,

mas os pantanais celebram a tua abundância.

31
Jul25

Não me quero simples


Gostava que fosse simples.

 

Que pudéssemos abrir as asas…

e voar.

 

Dar corda aos sapatos,

correr até o vento virar brisa,

abrir a boca,

cantar alto,

arregalar os olhos,

devorar todos os livros do mundo.

 

Dar o peito.

E amar. Sem fim.

 

Gostava.

 

Que fosse simples.

 

Mas não é.

 

As minhas asas perderam a impermeabilidade do que é bárbaro.

Já não sei se deixei de voar…

ou se voar… deixou de me querer.

 

Os sapatos tropeçam no tempo.

 

E o vento?

 

Deixei de o sentir há muito pela

correria de tudo

E todos

Menos a minha.

 

A hipocrisia secou-me as cordas vocais.

Passei a sussurrar,

só pra não dizer o que

tanto

deveriam querer ouvir.

Mas não importa.

Deixou de importar.

Quando os meus olhos só te veem a ti…

E o meu peito

só sabe estar

junto do teu.

 

Oh, simples…

Houvessem mil livros no mundo que eu quisesse ler…

Tu nunca serias todos eles

A vida não se resume a um voo,

mas a muitos.

Com quedas pelo caminho,

ora ventoso,

ora quente como um deserto árido e seco.

 

Tu não és o que dizem.

Não és.

Não existes.

 

Se existisses…

Virias descomplicar as mentes dissimuladas,

simplificar oceanos

de multidões

sedentas de poder,

devolver a calmaria aos gestos violentos,

sarar o afeto

com abraços de compaixão

e empatia,

retornar o som aos ouvidos

de quem já não sabe

o que é escutar.

 

Mas não vieste.

Nunca coubeste neste (i)mundo.

 

 

— Sim!

Fui teu, Simples.

Simples, assim.

 

Mas foste tu que me inventaste.

Pra te desculpares das salvações que nunca chegaram.

 

Das culpas que arrumaste nos outros.

Menos no que te vem de dentro.

 

Sou uma fraude?

Ou és tu?

 

Eu nunca fui feito pra durar, menina.

Fui invenção da tua criatividade —

bela,

inesperada,

pronta p’ra se procrastinar.

 

Nada é simples.

Eu não sou nada.

E tu?

 

Ficas-te com nada nas mãos.

Desarmada.

Sem culpas.

Ou desculpas.

És complicada.

Serás sempre.

Porque eu vivo na natureza —

e enquanto não fizeres parte dela…

nunca

me

entenderás.

 

— Sou filha de Gaia, Simples!

Simples assim!

 

A mim, não me venhas tu com essa conversa!

És o resultado da tua própria cobardia,

dessa visão mansa

que os homens usam p’ra fugir de si.

 

Sou filha de Gaia.

Confronto.

Intuição.

Sangue e sal.

Conectada.

 

Se nunca te entenderei —

então ninguém

te entenderá.

 

Violentos, cegos, porcos!

 

Tens de te misturar,

fazer-te valer,

se não…

pra que serves?

 

Simples não tem peso,

consistência,

ou sangue.

 

Viver dói.

Amar,

dói.

A realidade dói.

Porque se sente.

E sentir…

não pode ser simples.

Que verdade tens tu,

se nada sentes?

 

Eu sou feita de dor e cura.

De raiz

e nuvens.

De sementes

e de noite.

 

Não me quero simples.

Quero-me inteira.

Com o bonito…

e com as partes feias.

Com os dias em que não sei nada.

Os silêncios pesados.

Os medos que ninguém vê.

 

Quero-me com toda a complicação que sou.

Ser filha da lama

e da luz.

Não me envergonho do caos.

Só ele me faz crescer.

 

Eu não quero o simples,

Quero a verdade,

Aquela que sangra

Aquela que salva!

28
Ago23

O teatro da vida


No teatro da vida, somos atores de histórias escritas pelo destino, já traçadas pelos caminhos premeditados, algures esculpidos no tempo do cosmos.

Que tempo?

O tempo que só é tempo quando vivido, quando tem histórias para contar.

O destino roubou-nos a pesada caneta da responsabilidade e escrevinhou a nossa vida num rascunho: cada travessão, cada história; cada ponto, cada momento; cada risco, cada emenda; cada asterisco, cada marco importante.

Quem somos?

Atores de circos ruidosos que nem conhecemos. As trovejantes palmas que nos alçam os egos. A luz quente que ilumina os palcos da vida, somos esse foco num desfoco de nada.

Somos nadas.

Ou pequenos nadas que ajuntados são espectros de cores de profusas características. Somos todas as cores numa só, ou uma cor só refletida num espectro.

Oh destino! Destino!

Quem te escreveu?

Deu-te carvão bastante para riscar suavemente as folhas toscas, deixando um rasto a cheiro antigo que as impregnou. Deu-te vários capítulos numerados nas páginas ásperas da vida. Deu-te nomes timbrados a quente disforme. Deu-te actos esquecidos nos cenários mudos que partilhas nem sabes com quem.

Somos todos atores.

Personagens, emoções, somos o verbo ser conjugado em todos os pronomes pessoais. E todos são o Eu.

Somos caminhos já apontados por sinaleiros que rangem, crespos… fartos do tempo.

Temos várias vidas numa só e somos todos os parágrafos que alguém ficará para contar.

Entre cenas e encenações, no final da peça, todos seremos apenas histórias.

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