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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

27
Jul24

Amanhecer


O primeiro comboio da manhã passou, o silêncio é agora o nascer de mais um dia agitado. Há o cantar de um pássaro lá fora, mas é a tua respiração o meu pano de fundo de todos os amanheceres. Os teus lábios cingelamente repousados um sobre o outro e o teu ar tranquilo, fazem-me querer-te acordar para ganhar o primeiro sorriso do dia. Ao invés, toco-te ao de leve na mãozinha que está do meu lado da cama, agarras-me o dedo e suspiras. Nesse momento, o meu amor por ti é o máximo que posso sentir no peito!

Segundo comboio… a vida recomeçou para lá destes lençóis macios e quentes. Eu ainda aqui estou, porque não há nada que me tranquilize mais do que ver a tua barriguinha subir e descer ao ritmo de uma música de embalar que só toca dentro da minha cabeça. “O balão do João, sobe sobe pelo ar… está feliz”, o João, assim como tu que agora esboças um sorriso e viras-te para mim, a sonhar. Talvez com balões, animais, nuvens? De que são feitos os teus sonhos, filha? É, afinal, nesse instante, que o meu amor por ti atinge o máximo que posso sentir.

Fora deste ninho de amor apitam carros enfurecidos, sei lá porquê ou para quê. Não me identifico com a ira que conduz nas estradas. O frenesim obrigatório de uma sociedade em rebanho, faz-me questionar porque é que ainda aqui estou. Já não era suposto.

Vejo-te espreguiçar, entreabres os olhos para veres quem te rodeia, porém continuas a querer dormir. Nos amanheceres do mundo existe a agitação de um novo dia, nos teus a ronha e o demorado despertar tardio, cheios de dengo e apego. Não era suposto? Quando vou ter isto outra vez?

Deixo a confusão lá fora, observo-te pela milésima vez, só porque, a meu ver, nunca é demais. O teu corpo miúdinho contrasta com o tamanho do meu amor por ti. Espreguiças-te novamente ao mesmo tempo que empurras os lábios carnudos para fora, bocejas e olhas para mim com um leve sorriso. Afinal de contas, é neste instante que o meu coração explode de amor por ti, atinge o máximo de amor no meu peito!

Começas a sussurrar monossílabos sem sentido, contas-me os sonhos, os desejos do dia e mais sabe-se lá o quê. Balanças-te como se estivesses a mobilizar o corpo para enfrentar o dia que aí vem. Será, então, este o máximo do amor que vou sentir por ti? Todos os dias parece atingir um limite que julgo difícil ultrapassar e… no instante seguinte, é excedido!

É um extrapassar fronteiras de amor a todos os instantes. Então, escrevo-os para os eternizar a todos. Se não era suposto, não compreendo e continuo a preferir ficar aqui contigo a eternizar estas memórias cheias de inocência, pele e graça.

18
Abr24

O coração no lugar certo


Tenho finalmente o coração no lugar certo - junto ao teu. És poucos meses de pessoa e já me conquistaste pela vida fora. Foi crescendo um peso no meu peito, o peso do amor incondicional, que trespassa qualquer barreira, um peso pesado, da tamanha responsabilidade do que esse amor representa. Cresceu exponencialmente e continua a crescer a passos tão largos que, às vezes, sinto que vou estourar de emoção. Rasgar a pele anafada de alegria, rebentar os pulmões do ar que se respira somente amor, afogar o coração neste mel viciante.

Oh Mariana,

És a minha pessoa preferida, o meu serão predileto, o melhor sorriso de todos, os olhos meia lua mais expressivos que conheço. E se há lugar onde gosto de morar é no teu sorriso, minha filha. Se há sítio onde pretendo estar sempre é no teu olhar, para que nunca te falte o Amor, o meu - o incondicional.

Quero escrever nas subsistências da memória todos os momentos que passo contigo, desde ver-te acordar até que te adormeço, do teu olhar enquanto mamas à tua sofreguidão para a sopa, das tuas gargalhadas duplas e sonoras ao esfregar os olhos nas tuas lutas contra o sono, quero guardar tudo, bem juntinho, para que nunca me falte saudade destes tempos de bochechas macias e fartas.

Eu mordo-me para não te morder, delicio-me com cada refego teu, cerro os dentes para não te apertar com tanta força, a tua voz, o teu riso são a minha playlist preferida!

Sei de cor os teus sonhos, porque sou viciada em ver-te dormir. Sei de cor os teus trejeitos porque me delicio a observar cada gesto teu. Sei de cor o ritmo da tua respiração e… ouvir o teu coração bater é a maior benção que poderia ter.

Tenho o coração no lugar certo, junto ao teu. Tenho a força de uma leoa para te proteger e também a energia que precisas, sem saber onde a vou buscar… este corpo cansado ama-te por inteiro, os meus poros transpiram o derradeiro amor, aquele que não tem fim. E falo-te, agora, deste lugar de mãe, um lugar que, apesar de exaustivo, exigente e corriqueiramente injusto, é e sempre será um lugar único e, por isso, tão tão mágico.

Tenho finalmente o coração no lugar certo, junto ao teu.

02
Jan24

Mariana, aos teus 18 anos


Mariana,

O tempo galopou. Correu mais rápido que as rajadas de vento. As voltas ao sol foram na velocidade de um remate forte à baliza do adversário tempo.

Espero ter dado conta de tudo!

Aos teus 18 anos, espero ser uma mãe adulta porreira, que procures para amar e ser amada. Espero ser a mãe que desejaste no dia que me escolheste entrar no ventre. Espero que nutras exatamente o mesmo sentimento que tenho pela tua avó, não menos. Não desejo menos que isso! Que é tanto e um tanto que é tão bom! Como um abraço caloroso aveludado cheio de amor e com cheiro a sorrisos de jasmim…

Escrevo-te esta carta enquanto estás deitada no meu peito, o teu lugar preferido.

Às vezes estou cansada de só em mim dormires, de seres exigente, de quereres tanto a minha atenção, os meus braços, o meu tempo… Chove lá fora e o mundo pode até inundar que, para mim, aqui e

agora, o mundo está todo certo. Enquanto te vejo dormir…

Quero ver-te acordar também, para ser presenteada com o melhor sorriso de todos, aqueles que fazem dos teus olhos fechadinhos duas perfeitas luas minguantes.

A mãe é apaixonada pelo teu nariz arrebitado, herança feminina da nossa casta. Pelos teus lábios perfeitos e os teus olhos amendoados expressivos que me lembram todos os dias o motivo pelo qual me apaixonei pelo teu pai.

Cai-te o pouco cabelo que tens, clarinho e fininho, com cheiro a algodão. Quando ainda vivias no meu ventre quente, imaginei-te uma cabeleira farta e encaracolada, tal como eu. Não importa o que imaginei, tu superaste todas as minhas expectativas! És a mais linda carequinha e não queria que fosses doutra maneira!

Desejo que nos teus gloriosos 18 anos ainda viva a bebé arisca e atrevida que eu conheci hoje, que chama a atenção com falsas tosses, que brinca com os meus mamilos quando já não tem fome, que foge do sono como o diabo foge da cruz. Aos 3 meses de idade, és mais desafiante que qualquer emprego, és mais exaustiva que qualquer actividade física, principalmente nalgumas noites mais agitadas. Mas agora, nada disso importa, por isso mantém essa irreverência para a vida, meu bem, vais precisar dela neste mundo profano!

Segura também a graciosidade, não é à toa que és a “riqueza da avó” e a “bomboca do avô”, seduzes-los com apenas três dedos de conversa e não estou a exagerar!

Já dobras o riso, as tuas gargalhadas valentes fazem explosões de oxitocina no meu corpo cansado. Estás a conhecer o teu corpinho cor da neve, coberto de refegos e… fascinas-me! Com as tuas descobertas, com as surpresas de mais uma habilidade conseguida. És o meu mundo! E olha que a mãe tem muitos mundos, mas tu és o meu preferido!

Eu amo-te filha! Amo-te e todos os dias te amo mais… talvez agora, aos teus 18 anos, nem encontre uma palavra que caiba todo o meu amor por ti.

Não existe palavra com tal tamanho.

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