Um pântano não é um pantanal
Um pântano não é um pantanal.
Uma parte não define o todo.
E o todo é feito de tantas partes que já nem sabe de onde veio.
Onde tudo parece estagnar, a vida insiste em florescer.
O pântano esconde raízes retorcidas, lama que engole caminhos,
nevoeiro que turva os olhos.
Terra de sombras e silêncios pesados — terra de resistência.
No pantanal, os rios correm largos e livres,
a vida explode em cores,
o horizonte abre-se: vasto, fértil, luminoso.
Um pântano não é um pantanal.
Que parte poderá ser o todo?
Que lamas poderão manchar os teus pés,
se os teus passos não se medem pela sujidade que carregas entre os dedos,
mas pela firmeza com que escolhes avançar?
O pântano não te define.
Ninguém sabe a grandeza do que és.
És pantanal:
terra generosa, fonte que transborda, vida em expansão.
Os pântanos podem provar a tua força,
mas os pantanais celebram a tua abundância.
