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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

11
Ago23

Eu deixo-te chorar


Eu deixo-te chorar,

enquanto a saudade te inunda o corpo.

Deixo que o silêncio te faça perder nas memórias que vivem em ti, nas palavras que tens para lhe dizer.

Acredito que precises de conversar com ele, têm muita conversa para pôr em dia.

Por cada lágrima que deixas cair sei que te aproximas dele, à medida que lavas a alma dos silêncios intermitentes que lhe fizeste.

Ele vive em ti!

Este é só o momento em que te aconchegas e sintonizas a tua energia com a dele que, de certeza e sendo testemunha do amor dele por ti, já existe à tua volta.

Sofres na sua ausência e sofres porque te dói imaginar um futuro em que ele não está.

Expressaste pouco acerca desta dor que conquistou um lugar à mesa nesse coração largo que trazes dentro do peito. Ambos sabemos que não precisas de falar sobre ela, mas sei o quanto respiras em dor debaixo da pele.

Por isso, eu deixo-te chorar…

23
Dez22

Tradição


Fui comprar os palitos de la reine, onde me mostraste no Natal passado. Estacionei na estrada de Benfica, gostavas de passear aqui e ver as montras de lingerie, pijamas, atoalhados, etc. Ias devagar, apoiada na tua bengalinha, as pernas punham-se dormentes e o corpo dorido pelo tempo árduo da tua genica interminável.

A cadeira onde te sentaste a descansar, na pastelaria, ainda lá estava, no mesmo sítio. Estava ela, não estavas tu!

Dói recordar… mas também é encantador reviver a lembrança das tuas mãos, de unhas pintadas num tom branco brilhante, postas nos dedos que já não tinham a direção certa, a remexer no porta moedas de pele preto para te certificares de que pagavas a despesa. Era o porta moedas mais organizado que eu alguma vez vira: notas num dos fechos laterais, moedas grandes no do centro e as pequenas ficavam no outro fecho lateral. Dentro tinha sempre um crucifixo que acreditavas dar-te proteção.

Fiz o caminho que me ensinaste até à casa de cafés e pedi à senhora que moesse o teu café de eleição para aquele doce de fazer crescer água na boca.

Senti-te ali comigo, a observares-me para teres a certeza que eu acertava com os sítios certos e cumpria a tua tradição.

Cumpri avó! Cumpri! Haverá doce de palitos de la reine lá em casa.

Só não haverás tu…

Então, decidi fazer-te uma visita. Ou melhor, estar presente naquele pedaço de relva onde enterraram parte das cinzas dos teus restos mortais. Achei que ali poderia ter uma ligação secreta que permitisse a nossa comunicação. Ou melhor, que facilitasse o teu poder de audição.

Não me deixaram entrar!

Da mesma forma que não me deixaram entrar no hospital nos teus últimos dias de vida.

Por hoje, teremos de comunicar como temos feito no último ano, porque, pelos vistos, os mortos também têm hora marcada para visitas.

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