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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

09
Abr22

Esqueletos em mim


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Tenho esqueletos, esqueletos desenhados num armário cheio de ossos.

Tenho aparições que me amolam, escondidas no âmago das aflições.

Das mortes de mim, tantos mins nascem, de ciclos em ciclos, avanços e recuos, onde se apaga e se faz luz. Por etapas se percorrem todos os espectros do que já fui. Deixo uns no passado, permito a outros que se me aferrem nos ossos e encarnem o meu esqueleto.

Das almas pobres, desnutridas do que é o alimento, eu guardo-lhes os esqueletos para o meu próprio fomento.

Amarro-me nas memórias, do que outrora foram em vida, sou parte dessa narração por tantos esqueletos vivida.

Embalo na angústia, o desprazer que lhes vislumbro, são esqueletos que desenho num armário e a saudade é cravejada nos ossos dessa não-existência.
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Imagem: https://kronicasdoloboinvernal.wordpress.com/2018/02/27/conto-esqueletos-no-armario/
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👉🏻 texto publicado no Blog da @valletibooks - Reflexões nº 8 - 20/02/2022

04
Nov21

Miserável


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Hoje vai ser duro. Os olhos vão-me inchar, dormirei pouco e toda a minha cara será duas enormes pálpebras luzidias em cima dos olhos vermelhos.

Sim, é duro. Há dias que é duro existir. Questiono-me sobre o que faço aqui? Porque estou aqui? Para quê? E dói não ouvir respostas. Procurá-las e perceber que não existem. Ou existem muitas, mas qual será a certa? Ou qual será a minha? É duro ter dias melancólicos. Ter de lidar com a tristeza e amargura, é para valentes. E, às vezes, não sou portadora dessa valentia.

Os soluços continuam, uns atropelados nos outros, só porque sim. Porque tem de ser! A mente ditou-me a sentença de hoje: ser minúscula e sentir-me miserável. Et voilá.

Ardem-me os olhos e respiro fundo. Sinto o abandono, choro de novo. Ninguém me ouve, nem quero que me oiçam. Não quero? Sei lá o que quero. Choro com a solidão a gelar-me as unhas. Nada me serve, só o vazio me cabe e mesmo esse fica a boiar nas entranhas da minha alma. Tenho um sabor salgado na boca, enxugo a cara. Doem-me os olhos! Doí-me todo este sentir, sinto-me podre.

Hoje foi duro.

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imagem de Rachel Claire on Pexels

 

 

 

 

13
Out21

Agridoce


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E, como na vida, este sabor reporta-me para a mistura agridoce intrínseca, pois todos nós levamos dentro uma mistura inquietante de bem e de mal, de doce e salgado.

Todos nós conhecemos a felicidade e o amor, mas, por vezes, escolhemos estar tristes e angustiados. Sabemos ser honestos e sinceros, como na mesma frase, lançamos uma mentira e somos hipócritas.

E está tudo bem! Neste universo de bipolaridade cósmica, há que conhecer e experienciar o mau, para saber usufruir do bom. Afinal, o salgado e o doce também existem sozinhos.

Dos meus sabores de eleição, somos essa mistura complexa e inconstante. Do prazer à tortura, somos o que escolhemos ser nos contextos onde estamos inseridos.

Como o agridoce, somos esse mesmo equilíbrio, utilizamos essa sensação de forma inteligente para acrescentar valor culinário a um prato. Transportando essa aglutinação entre o bem e do mal para a nossa jornada e Eu interior, conseguimos, com sabedoria, utilizá-la de forma positiva.

E, reparem como o agridoce se pode comprovar numa das melhores experiências gastronómicas!

Imagem por: @stella_maria_gaspar

 

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