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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

05
Set22

A cor dela


Ela veste-se da cor do sangue, só porque tem a mania de ser arrebitada e enérgica. É viciada no calor que o vermelho lhe transmite, quer à pele, quer à alma. Esse fogo que sente pelo corpo fora leva-a à loucura, aos sentimentos da paixão, do amor, da vivacidade, numa euforia plena de viver a vida a vermelho.

De uma personalidade carregada de força, segue de coração na boca, onde o vermelho também lhe pinta os lábios.

E no avermelhado ela perde-se, navegando pelas emoções de alta intensidade, as únicas que sabem preencher todo o seu volume.

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👉🏻 Também publicado no blog @valetibooks - REFLEXÕES Nº35 - 28/08/2022

29
Ago22

Tenho a cabeça cheia de poemas


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Tenho a cabeça cheia de poemas, ela tem um mar de criatividade nas mãos. A Canelas vive de tintas coloridas, histórias e poesia, ou… poevida! Porque para ela a vida nada é sem as palavras, sem uma caneta entre os dedos e… sem a arte.
Eu tenho a cabeça cheia de poemas, com a ambição de aprofundar o meu ser. Ela tem as raízes, o cacau, a terra, os pés descalços e dança ao som do mundo que gira.
Na raiz, da raiz, p’a raiz, raiz, raiz, raiz, raiz… somos todos raízes nesta terra de sonhadores. E a minha raiz, cruzou-se com a dela, entrelaçou-se e… beberam da mesma água - a fonte da essência da vida eterna que habita estes corpos mortais.

imagens por: @eusoua_canelas 
#somosarte #somosmulheres

28
Nov21

Ela


 

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São os olhos dela que fascinam o mundo ao seu redor em tudo onde tocam. São de um verde água, ás vezes, um verde que se confunde com os tons da floresta. Se não os olhos, quase translúcidos de lhe conseguir analisar a alma, é o seu discernimento que lhe dá um tom acolhedor. A sua delicadeza de olhar o mundo de uma forma leve e graciosa.

Tive a sorte de lhe sentir a alma, numa amizade já de longos anos, mas se tivesse de a comprar facilmente me endividava. É fácil de nos apaixonarmos, pelo coração sementado de flores que brotam e crescem desmedidas e ela nem se dá conta. De uma natureza forte e equilibrada, ela sorri com o coração, ama de forma tão inconsciente e natural, como se o amor fosse a sua religião.

É a minha pessoa, a que me ouve sem julgar. De uma escuta como se pusesse o coração dela no meu peito e os seus pés nos meus sapatos. Um espaço criado entre nós, onde o julgamento não existe. Uma compreensão sem fim enlaçada numa perspicácia veloz.

Danada para a brincadeira, ela ri e diverte-se como se ainda vivesse com ela a Sofia de 8 anos que conheci. Inocente, virtuosa e descontaminada das feridas que o passado lhe ferraram.

Até no mau humor, lhe ressalta o humor. Dias que tem de se refugiar para redescobrir o seu sabor. E, nesses dias, ela torna a crescer e volta mais resistente para dar o melhor que leva dentro. Sendo o melhor, a Sofia de uma super conexão com o seu intimo, numa luz que não tem preço.
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👉🏻 Um desafio proposto “propaganda à tua melhor amiga”
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P.S 1 - Escolhi a “Sofia”, mas poderia ter escolhido um role de amigas, que são tão importantes quanto ela.
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P.S 2 - Às demais, não fiquem com ciúmes, está bem? 😅 têm um lugar quentinho no meu ❤️

13
Out21

Agridoce


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E, como na vida, este sabor reporta-me para a mistura agridoce intrínseca, pois todos nós levamos dentro uma mistura inquietante de bem e de mal, de doce e salgado.

Todos nós conhecemos a felicidade e o amor, mas, por vezes, escolhemos estar tristes e angustiados. Sabemos ser honestos e sinceros, como na mesma frase, lançamos uma mentira e somos hipócritas.

E está tudo bem! Neste universo de bipolaridade cósmica, há que conhecer e experienciar o mau, para saber usufruir do bom. Afinal, o salgado e o doce também existem sozinhos.

Dos meus sabores de eleição, somos essa mistura complexa e inconstante. Do prazer à tortura, somos o que escolhemos ser nos contextos onde estamos inseridos.

Como o agridoce, somos esse mesmo equilíbrio, utilizamos essa sensação de forma inteligente para acrescentar valor culinário a um prato. Transportando essa aglutinação entre o bem e do mal para a nossa jornada e Eu interior, conseguimos, com sabedoria, utilizá-la de forma positiva.

E, reparem como o agridoce se pode comprovar numa das melhores experiências gastronómicas!

Imagem por: @stella_maria_gaspar

 

16
Ago21

Um Adeus


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Os ciclos começam-se, decorrem e encerram-se. Aceitam-se os encerramentos, para novos ciclos se iniciarem. E assim é a lei da vida. A mãe natureza.

Hoje sinto o sabor da morte de uma forma diferente. Mais aguçado, mais espinhoso. Vou percebendo como a vida é frágil, muito mais para os que têm o corpinho coberto de penas. E eu amei-o tanto, tanto, como se tivesse o coração fora do peito, transportado para aquele corpinho esguio cheio de penas aveludadas. Verdes e laranjas, da cor da papaia.

De uma alma aventureira, o Shelby, era rebelde, curioso e meigo. Espero que encontre outro corpo físico que lhe faça valer toda aquela alma valente e espevitada.

Recordo-o com uma saudade que me queima o peito. De um ardor capaz de voltar o tempo atrás só para o sentir mais por uns momentos. Aquele macio, o calor do seu corpinho no meu.

Era notável o quanto nos amava e o quanto era um passarinho sortudo e feliz. Onde o coração tinha a liberdade de pousar onde quisesse. Só lhe faltava falar para nos dar a certeza do que era tão evidente.

Hoje sinto o sabor da morte, frágil, rápida, voraz. A lei da vida. Uma dor amarga, difícil de encarar.

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