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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

23
Jul22

O pintor


Retoque na barba, era o último, aquele que fazia a diferença agora que se olhava novamente ao espelho, antes de sair de casa.
Simples, com uma personalidade catedrática, mas amena, vestia-se sempre de preto ou cores sóbrias, apesar de se considerar algo vaidoso. A barba comprida tinha de estar impecavelmente no sítio, penteada, amaciada e cheirosa. Ele não lhe dava descanso, era a sua imagem de marca.
Saiu rumo ao atelier, o seu local sagrado onde guardava e expunha os seus trabalhos. Filho de família pobre, de mãos gastas com rasgos escurecidos pela terra, a mãe era agricultora e o pai lenhador. O irmão seguiu-lhes os passos, ao invés dele que se apaixonou pelas artes. Poeta e pintor, dedicava-se com especial apreço à pintura a óleo e, na poesia, privilegiava a contemporânea.
Era um homem de poucos amigos, não por ser anti-social, não falasse ele que nem um papagaio, mas porque a sua vida foi gatafunhada na tela e escrita em versos.
Passava o tempo adrentado em arte, os dedos sarapintados e as últimas falanges já com calos, ora da caneta, ora do pincel. Por isso, também não procurou o amor noutra pessoa, uma vez que o encontrou nas páginas por escrever e nas telas por pintar. Completava-se assim, em arte.
Não tinha pressa, nem muito menos intenções, de deixar descendência ou a herança de tamanhas conquistas. Acreditava que o seu trabalho deixaria os próprios marcos na história, eternizando pedaços de tinta no branco, mesmo quando o seu corpo se tornasse poeira.

06
Jun22

Receita poética


A lâmina que me corta em duas metades

Deslumbrando-me o verde interior

Arrancam-me o caroço

Restando-me apenas o miolo

 

Sou esmagado numa massa

Acrescentam-me a cebola roxa

E uns picadinhos de alho

A ver se o sabor não abrocha

Espremem um limão ao chocalho

 

Embaralham-me tão bem

Ao ponto de eu já não saber o meu sabor

Ainda se juntam os cominhos

Para me apimentarem a cor

 

Sal, azeite e pimenta

Prazer, eu sou o abacate!

Misturado tudo numa taça

Sou penetrado por mini cenouras

Uma entrada saudável mas sem graça

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👉🏻 Uma receita poética. Conseguem adivinhar qual é? 
👉🏻 Desafio-vos a descrever de forma poética uma receita do vosso gosto!

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