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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

28
Set22

Já é outono!


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Tal qual um ciclo,

As folhas desprendem-se

Morrem e caiem

Acompanham-nas as primeiras gotas de chuva

Com um rasto a terra molhada e folhagem

 

Na concha das mãos levam-se frutos secos, figos, nozes e afins

As castanhas impregnam o ar

Assadas com erva doce

E água pé a acompanhar

 

Vestem-se os primeiros casacos

Ainda com o mofo da gaveta,

De uma época inteira guardados

À espera que o São Martinho apareça.

 

Os rituais das bebidas quentes,

Chá de erva-príncipe

Camomila ou lucia-lima,

Chocolate quente e cafés adoçados

São os aromas que ficam no ar

Carregado de cores terra e vermelho-alanrajados

 

E a avó cozeu os marmelos

Na avantajada e antiga panela

Aromatizou o ambiente

Com o sagrado pau de canela.


👉🏻 também o podem encontrar no #blog da @valletibooks REFLEXÕES nº 39 - 25/09/2022

📸 by: Bruno Ismael Alves

13
Ago22

O caminho


Fomos mais uns a caminhar naquela rota antiga, tantas vezes percorrida por outros, de outras cores, de outros amores, de outros saberes e culturas.

Fomos mais dois a levar o espírito de sacrifício nos pés, o desafio na mente, a coragem ao peito e a mochila às costas. Levámos também a cumplicidade, a perseverança, a camaradagem e, claro… o amor. Foi assim que decidimos fazer, com amor.

Caminhámos lado a lado, ora um a frente, outro atrás, ao sol, à sombra, mas caminhámos. Caminhámos muito, por muito tempo.

E, como em tudo na vida, doeu. Doeu muito. Foi duro, cansativo, desafiante e emotivo.

Caminhámos com um único peso às costas, reconhecendo que, afinal, o essencial para viver é leve e parco. E quanto mais leves vamos, mais donos do próprio caminho nos tornamos.

Caminhámos de mãos dadas, caminhámos a conversar, cantar, animados, caminhámos afastados, em silêncio, cabis-baixos, a lamentar ou a reclamar.

Caminhámos por lugares preciosos e únicos.

Caminhámos com dor, cansados física e mentalmente.

E, como em tudo na vida, faz parte. Aceitar os momentos de introspecção como os de expansão. Aceitar os silêncios, a individualidade, como o tempo de nos relacionarmos. Aceitar a dor, apreciando-lhe o gosto da recompensa. Aceitar que, tal como no caminho, os sentimentos são cíclicos, como em tudo na vida.

O caminho é isso. É descobrirmo-nos e descobrir forças onde achávamos que não existiam. Descobrir que somos capazes, somos sempre capazes, mesmo quando nos esmorecemos, porque mais depressa ou mais devagar, acabamos invariavelmente por chegar.

Passo a passo. Seta por seta.

Como em tudo na vida.

 

Pelos Caminhos de Santiago, o caminho português.

30 de Julho de 2022.

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Recitação do texto na página @temjuizo_joana - no post "O caminho"

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através do Spotify.

23
Jul22

O pintor


Retoque na barba, era o último, aquele que fazia a diferença agora que se olhava novamente ao espelho, antes de sair de casa.
Simples, com uma personalidade catedrática, mas amena, vestia-se sempre de preto ou cores sóbrias, apesar de se considerar algo vaidoso. A barba comprida tinha de estar impecavelmente no sítio, penteada, amaciada e cheirosa. Ele não lhe dava descanso, era a sua imagem de marca.
Saiu rumo ao atelier, o seu local sagrado onde guardava e expunha os seus trabalhos. Filho de família pobre, de mãos gastas com rasgos escurecidos pela terra, a mãe era agricultora e o pai lenhador. O irmão seguiu-lhes os passos, ao invés dele que se apaixonou pelas artes. Poeta e pintor, dedicava-se com especial apreço à pintura a óleo e, na poesia, privilegiava a contemporânea.
Era um homem de poucos amigos, não por ser anti-social, não falasse ele que nem um papagaio, mas porque a sua vida foi gatafunhada na tela e escrita em versos.
Passava o tempo adrentado em arte, os dedos sarapintados e as últimas falanges já com calos, ora da caneta, ora do pincel. Por isso, também não procurou o amor noutra pessoa, uma vez que o encontrou nas páginas por escrever e nas telas por pintar. Completava-se assim, em arte.
Não tinha pressa, nem muito menos intenções, de deixar descendência ou a herança de tamanhas conquistas. Acreditava que o seu trabalho deixaria os próprios marcos na história, eternizando pedaços de tinta no branco, mesmo quando o seu corpo se tornasse poeira.

06
Jun22

Receita poética


A lâmina que me corta em duas metades

Deslumbrando-me o verde interior

Arrancam-me o caroço

Restando-me apenas o miolo

 

Sou esmagado numa massa

Acrescentam-me a cebola roxa

E uns picadinhos de alho

A ver se o sabor não abrocha

Espremem um limão ao chocalho

 

Embaralham-me tão bem

Ao ponto de eu já não saber o meu sabor

Ainda se juntam os cominhos

Para me apimentarem a cor

 

Sal, azeite e pimenta

Prazer, eu sou o abacate!

Misturado tudo numa taça

Sou penetrado por mini cenouras

Uma entrada saudável mas sem graça

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👉🏻 Uma receita poética. Conseguem adivinhar qual é? 
👉🏻 Desafio-vos a descrever de forma poética uma receita do vosso gosto!

18
Abr22

Uma história sem verbos


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Alto e espadaúdo, o João

De fáceis amores pelas demais donzelas

Charme aqui, charme ali

Sorrisos e gestos sedutores

Carismático

Aqui um beijo, ali umas palavras

Atraente, apaixonante, encantador

Muitos suspiros femininos pelo galante

 

Um dia, a Maria linda acolá

Olhares trocados, desejos soltos no ar pelo ambiente de festa

Álcool no sangue e ritmos no corpo

Ancas para aqui e para acolá

Sensualidade e transpiração

Corpos juntos nas danças ritmadas da música mulata

Mãos entrelaçadas e os lábios… os lábios perto, muito perto

 

Agora, naquela cama

Satisfação carnal, lascívia

O sol no céu, a roupa no chão

Noite sagaz e o João… zás!

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• Uma história sem verbos •

Um desafio de escrita criativa. Querem tentar?
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👇🏻 deixem-nos comentários uma história sem verbos do tipo que quiserem!
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Juntem-se a mim! Sem juízo e, desta vez, também sem verbos 😉
.

 

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