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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

23
Ago22

Era uma vez uma flor…


Era uma flor instalada num caule cheio de espinhos. Era intuitiva, selvagem e carinhosa. Os espinhos, ela limava-os, com uma lima coberta de paciência, áspera pela censura que a própria se deixava infiltrar. Com afinco limava-os crente na absolvição, mesmo tendo, os espinhos, crescido nas mágoas, decepção e dor.

Era uma flor que de noite se encobria e de dia sorria. Porque os fantasmas saem para o escuro, amedrontam, e o sol abrilhanta as almas benfeitoras deste mundo.

Pousada num bonito jardim, cheio de espécies que lhe ofereciam, ora sombra, ora sorrisos, vivia para fazer parte da natureza, consciente dos ciclos vida-morte-vida.

Com o vento roçava as suas pétalas nos demais, sabendo que aquele contato era um momento de prazer. O vento era o responsável pela ternura, pelo companheirismo e aconchego daquela comunidade.

Era uma flor perfumada de boa-disposição e criatividade. Esse perfume que, inesperadamente, dava frutos suculentos e apetitosos, e que ela os distribuía, fiel de que o amor só assim se partilha… com frutos.
Quando não se frutificava, escondia-se, ciente da solidão necessária para a evolução da sua espécie. Escondia-se com medo que outros olhos a vissem naquele retiro, carente de reflexão.

Era uma flor, uma flor que não se arrancava do solo. Porque as flores só crescem na sua própria terra, que se quer fértil. Porque as flores só à sua terra pertencem, e, apesar de estarem ligadas a tantas outras raízes, não são posse de ninguém.
————
👉🏻Texto publicado no blog da @valletibooksREFLEXÕES Nº 34- 21/08/2022

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através do Spotify.

06
Ago22

Anda, menina!


Lança, menina, lança! Lança e balança-te neste molho que é a vida! Entre a expectativa e a esperança, atira-te, desbrava caminho e vê como te embaraças nos outros, em tudo. Na lança, nunca vais sozinha, vais projectada nos outros, em tudo. Envolves-te e, enleada, vais nos outros e em tudo.

És a causa do meio e o meio também te causa, combinando numa osmose inevitável, mas desprovida de obrigações. Entrelaçam-te as energias por simples sopros, na vulnerabilidade de que és desfeita.

Não te contenhas! Não queiras desagrupar-te, quando dos agrupados nascemos, nos aglomerados nos distinguimos e em associação vivemos. Anovelada nos outros e em tudo segues em festa tecida do cosmos, na assembleia de tudo o que é universo, seja lá o que isso for. Anovela-te! E num equilíbrio do interser, anovelada és, deixa-te ir no baloiço, mas com balanço.

Não é bonito?

Isto de sermos tudo e todos do mesmo cardume, de sermos interseres no mesmo mar?

———————

👉🏻também publicado no blog da @valletibooks-REFLEXÕES N°29 - 17/07/2022

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através do Spotify.

28
Jul22

Alma longa


Sentada no rochedo,

Contemplo este mar azul claro,

Tão claro que se chega a confundir com o céu.

Tão claro como alguns dos olhos que já se cruzaram comigo.

Sentada neste rochedo,

Reparo que a minha vida nada é

Comparada a esta imensidão de mundo.

O mundo é enorme,

Várias possibilidades

Demasiadas opções para uma vida só.

Será que, por isso, existe a reencarnação?

Se existe, deixem-me viver todas elas.

Quero ser tudo e muito, quero viver demasiado, experienciar o mundo.

Habitar vários corpos, com a minha alma.

Viver através de outros olhos, com esta mesma minha alma.

Sejam eles azuis, verdes ou castanhos.

Deixem-me viver!

Sentada neste rochedo,

Dou-me conta da pequenez

Comparada aos grandes rochedos,

Às grandes questões existenciais.

Teremos nós missões a cumprir?

Por sermos tão curtos, mas de almas longas.

 

👉🏻 Texto publicado no blog da @valletibooks- REFLEXÕES N° 30, aceder através do link: www.valletibooks.com.br/blog

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através doSpotify.

10
Jun22

Incerteza


Pus-me a pensar no que se traduziria a maior causa de ansiedade de todo e qualquer comum mortal, e cheguei à conclusão que é, com certeza, a incerteza. O que será pedirmos um prato cheio e comê-lo às cegas? O que será termos de dar um passo num chão movediço?

A incerteza é este frio na barriga quando ansiamos por bons resultados, quando colocamos muita expectativa no futuro. A incerteza é cruel, mas é a que nos faz desfrutar mais do presente, porque o presente, sim, esse é certo.

Difícil isto de sermos agarrados ao futuro, na ansiedade de que tudo corra como planeámos, com pensamentos a mil kilometros-hora que nos colocam uns tempos mais à frente, impedindo-nos de apreciar o aqui e o agora.

Vivemos neste dissabor de querermos que as incertezas se tornem certezas, quando tudo o que é certo… menosprezamos.

Seremos merecedores de um futuro, quando não sabemos viver o presente? É que a vida passa e o futuro, rapidamente, se torna presente e as incertezas, certezas. De que nos vale? Se continuamos a tratar mal o presente com medo das incertezas paridas no futuro?

A incerteza é uma dádiva para o crescimento, para a reflexão, para nos desafiarmos. A incerteza surge para nos deleitarmos com o que é certo, exato e só o é… no agora.

No entanto, preferimos prosseguir assim, entre agoras e depois, entre rodadas de ansiedade e de incertezas, até à última rodada… onde já não há mais futuro por viver e a única certeza foi a morte.

👉🏻publicado também no blog da @Valletibooks- reflexões nº17 (24/04/2022)

29
Mai22

Podes ir…


Não te toco, não te penso, para que não te distraias no caminho. Choro-te baixinho, tão baixinho, que nem te incomodo. Ninguém me ouve falar de ti, só para não olhares para trás.
E, de cada vez que a lembrança te pousa, eu fujo. Tenho de ter a certeza que lá chegarás.

Desapegar-te, não é fácil, quando o teu coração amava demais.
Encubro o meu suplício, porque te estimo a paz.

Pesam-me as tuas memórias, já de tão embebidas em lágrimas que correm por ti. Mas não posso desbotar-te, para que não percas a nitidez.

Deixa-me ser generosa no quanto te amo, mas acende-me a aquietação de não mais te poder sentir.
Renuncia-me a misericórdia e ostenta-me com o teu sorriso uma última vez.

Desenraizar-te de mim, não quero. Então, visito-te tantas vezes nos meus retalhos, que chega a devolver-te solidez na transparência onde vives agora.
—————
📸 pexels.com - Rodolfo Clix

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