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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

24
Out22

A recordação


Se a memória não me falha, teria todas as memórias duma vida.

Procurar a memória mais antiga dentro de tudo o que é passado,

é pedir ao cérebro para ser um enorme depósito de imagens, sensações, cheiros e emoções.

Recordações que se sobrepõem conforme o peso, tamanho e marcas no percurso.

Á medida que andamos em marcha atrás, fica estranho o discurso.

Cada vez mais baça a memória, acalenta a nitidez apenas

Os momentos que, dalguma forma, mantém a forma em pensamento.

É então que o fluido fresco desce-me a garganta.

Paira no ar a memória do que era a sede. Naquele dia de verão, a sede era o que me afligia,

Pelos gastos excessivos de energia,

Como por magia.

Era água que eu bebia aflitivamente,

de olhos postos na garrafa

E os pés na área quente.

O fresco que senti pelo queixo, peito, barriga e coxas.

Deixei entornar, as habilidades eram frouxas,

A sede abundante.

Numa manhã a construir castelos

Em areia escaldante,

para princesas imaginárias,

com esperança que um dia me torna-se numa.

Oh… aqui não há monarquias e a sede matou-se,

num trago cheio de pressa!

Como se mata tudo o que nasce,

como acaba tudo o que começa.


👉🏻também podes encontrar este texto no blog da @valletibooks - reflexões n° 43 ou até ouvir no podcast da Valletibooks no #spotify

28
Set22

Já é outono!


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Tal qual um ciclo,

As folhas desprendem-se

Morrem e caiem

Acompanham-nas as primeiras gotas de chuva

Com um rasto a terra molhada e folhagem

 

Na concha das mãos levam-se frutos secos, figos, nozes e afins

As castanhas impregnam o ar

Assadas com erva doce

E água pé a acompanhar

 

Vestem-se os primeiros casacos

Ainda com o mofo da gaveta,

De uma época inteira guardados

À espera que o São Martinho apareça.

 

Os rituais das bebidas quentes,

Chá de erva-príncipe

Camomila ou lucia-lima,

Chocolate quente e cafés adoçados

São os aromas que ficam no ar

Carregado de cores terra e vermelho-alanrajados

 

E a avó cozeu os marmelos

Na avantajada e antiga panela

Aromatizou o ambiente

Com o sagrado pau de canela.


👉🏻 também o podem encontrar no #blog da @valletibooks REFLEXÕES nº 39 - 25/09/2022

📸 by: Bruno Ismael Alves

28
Jul22

Alma longa


Sentada no rochedo,

Contemplo este mar azul claro,

Tão claro que se chega a confundir com o céu.

Tão claro como alguns dos olhos que já se cruzaram comigo.

Sentada neste rochedo,

Reparo que a minha vida nada é

Comparada a esta imensidão de mundo.

O mundo é enorme,

Várias possibilidades

Demasiadas opções para uma vida só.

Será que, por isso, existe a reencarnação?

Se existe, deixem-me viver todas elas.

Quero ser tudo e muito, quero viver demasiado, experienciar o mundo.

Habitar vários corpos, com a minha alma.

Viver através de outros olhos, com esta mesma minha alma.

Sejam eles azuis, verdes ou castanhos.

Deixem-me viver!

Sentada neste rochedo,

Dou-me conta da pequenez

Comparada aos grandes rochedos,

Às grandes questões existenciais.

Teremos nós missões a cumprir?

Por sermos tão curtos, mas de almas longas.

 

👉🏻 Texto publicado no blog da @valletibooks- REFLEXÕES N° 30, aceder através do link: www.valletibooks.com.br/blog

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através doSpotify.

25
Mai22

Ninguém me disse


Sabem quando ficam perplexos com as situações? Quando a indignação conquista todo o espaço cerebral? Talvez o espaço onde são processadas as emoções de alta intensidade… é assim que me sinto! Numa aversão pelos imprevistos e circunstâncias. É que nunca ninguém me disse que a vida era assim, que era isto, estes ciclos de dor-alegria, chorar-rir, morrer-nascer, cair-levantar. Nunca ninguém me disse!

Se, na adolescência, me dissessem que iam haver fases de lua versus sol na minha história, eu não quereria crescer. Ninguém me disse que as pessoas seguiam caminhos diferentes, de forma individual e que toda a adolescência acabaria mesmo ali!

Tão pouco me informaram das decisões, das escolhas que podiam mudar-me o rumo. Até das incertezas se esqueceram de me avisar, quando o que me davam para ler eram histórias de “viveram felizes para sempre”. Mas até essas personagens tiveram dúvidas, viveram nas mesmas hesitações sísmicas que eu.

Também ninguém me disse que iria temer pela morte dos meus, nem nunca me prepararam para isso. Se me dissessem que eu ia trepidar com o toque do telefone, fora de horas, eu preferia não crescer. Os acontecimentos menos bons não escolhem hora, nem o dia perfeito para acontecerem. Simplesmente acontecem! Levam-nos o chão em instantes. Tudo o que era garantido passa a ser incerto ou, até mesmo, dispensável.

Não é fácil, isto de sermos crescidos, dos que vivem com o coração nas mãos, cheios de cuidados. Se não é cuidados com o meio envolvente, é com a língua. Ninguém me disse que teríamos de ser tão apertados de bons modos, de cautelas, responsabilidades e preocupações. Queria ter ficado na infância, quando os meus pensamentos pairavam entre chocolates, bonecas e desenhos animados. Crescemos para conhecer o sabor amargo da tristeza e saber lidar com a aflição. Crescemos para saber colocar tudo numa balança e zelar para que o lado mais pesado seja o das conquistas, do amor e dos momentos felizes.

Ninguém me contou que iria viver numa corda bamba e que ia ter medo de cada vez que me desequilibrasse. Que iria ter medo das quedas e, muito mais medo, das quedas livres, desprovidas de amortecedor. É que ninguém me disse!

Quanto mais o tempo passa, mais conscientes somos do quão frenética a vida é. O tempo dá-nos a vil lucidez, de que não importa o quanto façamos, os acasos, ao acaso, surgem, mudando todo o universo e os universos dentro de nós.

Nunca ninguém me disse que, afinal, estas dores da vida, eram as tão faladas dores de crescimento.

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👉🏻 poderão encontrar este texto no blog da @valetibooks na reflexão n°15 - 10/04/2022

26
Abr22

Colunista Valletibooks


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Mais uma alegria! Faço parte da coluna reflexiva do blog no site da @valletibooks. Um lugar cheio de poesia, reflexão e muita qualidade literária, com escritores nobres e talentosos, com os quais tenho a honra de partilhar o espaço. 
O Luiz Primati (@luizprimati) presenteou-me com este convite, no meio da competição da II Copa de Poesia Brasil, que me deixou boquiaberta pelo espanto e orgulho. 
👉🏻 Poderás encontrar o blog através do LINK NA BIO da página @valletibooks > menu > blog. Ou descarrega aqui!

👉🏻 Todos os domingos saem novas reflexões dos colunistas do blog.

 

 

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