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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

20
Nov22

O mar em mim


Olho no fundo da retina destes olhos. “Quem és tu?”

Um mar de vários oceanos, onde já desaguaram sobejos rios e continuam a respingar outros, advindos de toda a parte do mundo.

Doces, salgados, verdes, enlameados, pequenos ou grandes, rios que se juntam às mil e uma gotas deste meu oceano.

Sou um mar azul, de emoções fortes, por vezes revolto, outras tranquilo.

Nas tempestades faço vórtices na intempérie da escuridão, enlouqueço na maré alta do meu sentir pesado.

Da mesma maneira que o mar, depois do temporal, também em mim se planta a calmaria, repleta de confiança no universo, nos astros, no amor, no cosmos, onde o coração bate ao compasso de uma maré baixa. Então, guardo comigo todas essas marés, uma coleção do que sou, aconchego-as com a maior humildade que acredito ter, para poder honrar o meu percurso e proteger-me das melancolias negras que um e quaisquer pensamentos são capazes de possuir.

Os meus olhos não são azuis. Não têm a cor do mar. Foram-lhe buscar as tempestades, a personalidade, o imprevisível de poder ser o que melhor servir nos diferentes momentos da vida.

Na íris mora o respeito, esse que emerge em cada ondulação do que me possa tornar, já que, na corrente da vida, somos seres de copiosos traços, falar de mim, implica caracterizar o que não pode ter fim. Tal como o mar.

Mas, os meus olhos não são azuis. E, não é por serem de outra cor, que não amam tudo o que abrange o seu olhar.

Acomodam-se neles o amor, um brilho especial pela vida. Julgo ser esse o grande pormenor que me faz amá-los na completude do seu reflexo espelhado.

Estimo-lhes a aprendizagem, empenhando-me para amar tudo o que já fui, pois, todas as marés que romperam em mim, deixaram memórias viscerais semeadas entre os folhos do meu ser.

Como disse: os meus olhos não são azuis, são da cor da terra, onde todo o mar faz baia. Sou raiz, consistência e robustez.

A generosidade também passeia por lá, talvez mais pelo meu sorriso, enorme e luminoso, com o propósito de acrescentar um tanto ao olhar e ao sorriso dos outros, porque, assim como o mar, estimo qualquer chão onde possa repousar.

 

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Um desafio da Ana D., nos desafios da abelha.

 

15
Out22

Quando a lua dança


Noite que se pôs cedo, sob uma lua amarelada e cheia. Como ela odeia o horário de inverno, estes dias curtos e escuros, que a deixam mal-humorada. Segue pelas ruas de auscultadores postos a ouvir as músicas que fazem sentir-lhe as raízes. Por ali, a inveterar pelos ouvidos tudo o que ela é, vai andando ao passo que dança. O corpo contrai-se involuntariamente, está-lhe no sangue, não há como contrariar.

Estas cantigas recordam-lhe a infância, as festas de família, amigos e espectáculos de dança com variados grupos de que fazia parte, julga terem sido o cenário de semeadura daqueles ritmos na sua anatomia, entranhados por todos os orifícios.

Naquele passo díspar, num compasso dissonante dos demais que por ela passam, o olhar vai-lhe vazio, porque se olha a dentro e… Sorri, sorri de prazer com o que a faz sentir.

Nunca ouve uma música do início ao fim, quase como superstição, pois do trabalho até casa, ela tem de conseguir ouvir as melodias que lhe fazem vibrar o corpo.

Lá em cima a lua assiste, grande e magistral, a esta manifestação eloquente do que a junção de tambores lhe impõe à sua espécie, numa cadência e vigor como se não houvesse outro dia.

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👉🏻 também o podem encontrar no #blog da @valletibooks REFLEXÕES nº 38 - 18/09/2022

05
Set22

A cor dela


Ela veste-se da cor do sangue, só porque tem a mania de ser arrebitada e enérgica. É viciada no calor que o vermelho lhe transmite, quer à pele, quer à alma. Esse fogo que sente pelo corpo fora leva-a à loucura, aos sentimentos da paixão, do amor, da vivacidade, numa euforia plena de viver a vida a vermelho.

De uma personalidade carregada de força, segue de coração na boca, onde o vermelho também lhe pinta os lábios.

E no avermelhado ela perde-se, navegando pelas emoções de alta intensidade, as únicas que sabem preencher todo o seu volume.

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👉🏻 Também publicado no blog @valetibooks - REFLEXÕES Nº35 - 28/08/2022

23
Ago22

Era uma vez uma flor…


Era uma flor instalada num caule cheio de espinhos. Era intuitiva, selvagem e carinhosa. Os espinhos, ela limava-os, com uma lima coberta de paciência, áspera pela censura que a própria se deixava infiltrar. Com afinco limava-os crente na absolvição, mesmo tendo, os espinhos, crescido nas mágoas, decepção e dor.

Era uma flor que de noite se encobria e de dia sorria. Porque os fantasmas saem para o escuro, amedrontam, e o sol abrilhanta as almas benfeitoras deste mundo.

Pousada num bonito jardim, cheio de espécies que lhe ofereciam, ora sombra, ora sorrisos, vivia para fazer parte da natureza, consciente dos ciclos vida-morte-vida.

Com o vento roçava as suas pétalas nos demais, sabendo que aquele contato era um momento de prazer. O vento era o responsável pela ternura, pelo companheirismo e aconchego daquela comunidade.

Era uma flor perfumada de boa-disposição e criatividade. Esse perfume que, inesperadamente, dava frutos suculentos e apetitosos, e que ela os distribuía, fiel de que o amor só assim se partilha… com frutos.
Quando não se frutificava, escondia-se, ciente da solidão necessária para a evolução da sua espécie. Escondia-se com medo que outros olhos a vissem naquele retiro, carente de reflexão.

Era uma flor, uma flor que não se arrancava do solo. Porque as flores só crescem na sua própria terra, que se quer fértil. Porque as flores só à sua terra pertencem, e, apesar de estarem ligadas a tantas outras raízes, não são posse de ninguém.
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👉🏻Texto publicado no blog da @valletibooksREFLEXÕES Nº 34- 21/08/2022

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através do Spotify.

17
Jun22

Quão longe conseguimos ir por amor?


Corre, corre a passo apressado! Luta com a mesma intensidade que te bate o coração no peito! Não deixes que te fuja o amor da tua vida! Mas, não permitas que te percas nessa correria.

No amor, os horizontes são longínquos e cada um mais desalinhado que o outro. As percepções são desconexas, algumas compulsivas, outras coagidas. Julgas que foram as estrelas que te atribuíram a alma gémea e lançaram-na à terra para a tentares encontrar? Podia dizer estrelas, como outra entidade qualquer, seja lá aquilo em que acreditas.

Mas… quão longe consegues ir nesse jogo? Porque, se realmente estamos todos destinados uns aos outros, o “amor da tua vida” passou a ser um jogo.

Falhas no alvo, voltas à casa inicial. Tiras uma carta fora do baralho, andas três casas para trás. E, quando estás mesmo a chegar ao fim, sai-te uma pista com rasteira e perdes o jogo.

Quão sedutor é este desafio, para o estares constantemente a jogar tornando-se na história da tua vida?

O amor é viciante… aquela sensação de desejo, de ser desejado(a), o medo de não  o ser, as borboletas na barriga que, às vezes, parece que andam de patins no estômago (talvez um patim chegue para cada uma delas).

Era bonito afirmar que o mundo se move pelo amor, mas estaria a ser hipócrita. Quem diz isso, mente! E, aqui, ninguém é santo!

No entanto, vais enfrentando este jogo agridoce, arriscado, só para garantir que não acabas só.

Afinal, quanto vale isso? Qual é o valor a pagar para a não-solidão? Todo o valor é pouco. Não conhecendo as entranhas dos corpos celulares à nossa volta, resta-nos a própria companhia, órfã de preço.

Então, quão longe és capaz de ir por amor? O amor vai até onde quiseres que ele vá. Mas se tiveres de ir, vai junto. Não faz sentido ir longe sozinho, quando o objetivo é estar complementado.

Se tens de continuar a correr sozinho para fora dos limites dos teus valores e princípios (tipo corredor de fundo), talvez quanto mais perto te chegas dele, mais longe estás do amor próprio e o teu respeito foi levado na brisa que te passou por ambas as orelhas.

Poderia ter um milhão de respostas a esta pergunta, mas julgo que quanto mais lutamos de forma desvairada, mais nos vamos perdendo pelo caminho, e no fim, acabamos tão sós, que nem sequer perto de nós mesmos estamos.

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👉🏻 texto publicado no blog @valletibooks Reflexões nº 22 (29/05/2022)

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através do Spotify.

 

 

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