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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

29
Out23

• De que é feita a minha seiva? •


O toque na sola dos pés lembra-me de que são feitas as minhas raízes. Evoco a minha ancestralidade. Quero conhecer-lhes os egos e os temperos que se transportam de sangue em sangue, de mão em mão, de terra em terra e de coração em coração. Sou todas as raízes capazes de se sentir, de se ouvir, até mesmo de se cheirar. As raízes que ficam para lá da memória, em gerações quase imortais, que vivem mesmo debaixo da minha pele, debaixo da silhueta da minha alma, fincadas no vasto céu do meu ser.

Genes dos meus genes, sou os resultados dessas tantas histórias cheias de real, de existir, mística, guardados na mãe-terra.

Seremos nós o que sentimos?

Seremos nós a bagagem que carregamos?

Livros saturados de passados, narrativas que contam os viveres das consciências eternas. Anciãs biografias bafientas do decurso estendido nas encostas dos anos. Vestígios abençoados de tudo o que já foi vida.

Seremos nós essa colecção de antepassados?

Ou somos únicos e exclusivos, sem um pingo de existências anteriores?

Teremos oferendas guardadas de cada raiz no baú das origens?

Temos?

Mas afinal… de que é feita a nossa seiva?

Das raízes, de páginas de história, dos sentires… são feitas de idas e vindas de emoções e sustém-se na magnitude das nossas vivências, as que levamos de corpo em corpo.

Hum… de que é feita a nossa seiva?

De volumes, de existires… em nós e nos outros. Dos sangues que se misturaram nos orgasmos gritados nos séculos, das salivas que deram vitalidade aos beijos, aos amassos, aos corpos que se acoplaram para a posteridade. Somos essas massas, essa consciência primitiva.

Somos esse mesclar. Somos todos os progressos das gentes que sentem e das gentes que são. Somos seiva.

Eu sinto. Eu sou.

Sinto as raízes na sola dos pés.

Sou seiva.

De que é feita a minha seiva?

28
Jul22

Alma longa


Sentada no rochedo,

Contemplo este mar azul claro,

Tão claro que se chega a confundir com o céu.

Tão claro como alguns dos olhos que já se cruzaram comigo.

Sentada neste rochedo,

Reparo que a minha vida nada é

Comparada a esta imensidão de mundo.

O mundo é enorme,

Várias possibilidades

Demasiadas opções para uma vida só.

Será que, por isso, existe a reencarnação?

Se existe, deixem-me viver todas elas.

Quero ser tudo e muito, quero viver demasiado, experienciar o mundo.

Habitar vários corpos, com a minha alma.

Viver através de outros olhos, com esta mesma minha alma.

Sejam eles azuis, verdes ou castanhos.

Deixem-me viver!

Sentada neste rochedo,

Dou-me conta da pequenez

Comparada aos grandes rochedos,

Às grandes questões existenciais.

Teremos nós missões a cumprir?

Por sermos tão curtos, mas de almas longas.

 

👉🏻 Texto publicado no blog da @valletibooks- REFLEXÕES N° 30, aceder através do link: www.valletibooks.com.br/blog

👉🏻poderão também ouvir no podcast da @valletibooks através doSpotify.

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