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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

23
Abr20

Round 2, Fight!


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Discussões. Um tema que me mete em pele de galinha e ardor no estomago.

Trigger de erupção. Eu tenho vários. Cego, não oiço, só falo. Zonas de incendio onde só queremos gritar para ser ouvidos, só estamos do nosso lado a ver a nossa perspectiva. Tomamos o nosso partido como inquestionavelmente certo.

A minha mãe dizia: “mas tu também não és fácil, Joana…”, cada vez que lhe contava uma discussão da minha prespectiva. E, mesmo misturando uma pimentinha a mais, só para a conquistar para o meu lado, havia sempre esta celebre frase final “tu também não és fácil…”.

Discutimos porque haverá sempre um “mas”, um “e se”. “Mas” que magoam e “se”s que magoam ainda mais. Um “mas” que nos transporta para o outro lado do abismo, um “mas” carregado de egocentrismo, porque a seguir ao “mas” vem o “eu” – “mas eu…” e se não vier logo a seguir, vem aos trambolhões pela frase fora. O mesmo se passará com o “e se”. Moral da história, discussões existem porque, no nosso mais íntimo, estamos com a cabeça a tocar nas coxas, voltada para o umbigo. Há prespectivas demasiado egocêntricas cujos objectivos não são para ferirem voluntariamente. Mas <<ora cá está ele>>, quem me diz a mim que a minha também não é? Pois… “Também não és fácil…”, uma frase cheia de sabedoria e, de um amor e poder tal, que me fazia repensar tudo de novo.

Confesso que não sou fácil. Sou daquelas que se ergue para falar mais alto. Sou daquelas que aponta o dedo. Sou daquelas que iça o peito, sujeito a balas, como se fosse imortal. Um orgulho imortal. Mas ferido. “Tu também não és fácil” sempre foi a chave e, a minha mãe sabia-o, para me olhar para dentro e logo de seguida olhar-me através dos olhos do outro.

Eu, como tantos outros, sofri de uma lavagem cerebral dos contos de encantar. Contos que nos ocultam esta parte. Que nos fazem achar que o “para sempre” associado à palavra “felizes” funciona e existe. Vendemo-nos às histórias em que a nossa alma gémea vem salvar-nos montado num cavalo branco.

Só que, depois damos conta que os cavalos brancos não existem na cidade. Muito menos, que a nossa alma gémea o saiba montar. E… Sofremos! Sofremos porque afinal já não somos mais princesas em redor de tule, mas sim mulheres feitas a chafurdar na merda da realidade.

Como poderíamos nós ser felizes para sempre, encaixarmo-nos na perfeição, se nós próprios estamos eternamente em mudança?

A resposta certa todos sabemos, mas mesmo assim choramos. Choramos porque nos foi vendida a banha da cobra do romance em castelos que não existem.

Vá lá, venha a round 1, 2 ou 3, as discussões são congénitas. São o confronto de prespectivas diferentes, de modos de estar e de ser diferentes, que incomodam de certa forma o outro. E, não me venham, os politicamente correctos, dizer que devem ser respeitosas. Deviam, sim. Mas não são! Se, logo à partida não estamos a respeitar o modo de estar e de ser do outro?

Tem necessáriamente de coexistir, se queremos concretizar aquele sonho que todas temos refundido num cantinho do nosso ser, já com algum musgo e cheio de borbuletas em volta, do "viveram felizes para sempre".

Em round 3, 4 ou 5, as discussões são as impulsionadoras dum caminho à aceitação da diferença e ao mútuo respeito, ou não...

Afinal, ninguém é assim tão fácil… Já dizia a minha mãe.

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

 

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