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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

30
Ago20

Nações irmãs, rótulos e preconceitos


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Dizem que a língua portuguesa é traiçoeira. Traiçoeira a língua, de capacidades mesquinhas. Caracterizam o povo do samba, como gente cheia de segundas intenções. De língua afiada, falam das mulheres carnudas, de bumbuns esculpidos, com azedume no palato. Mulheres da vida, cheias de interesse económico. Quando se esquecem, essas línguas, de mudar o ângulo oftálmico.
Os amantes do carnaval, samba no pé, bebida na mão, expõem-se na malandragem, assim vê o português acanhado e tacanho.
Vêm do Rio, São Paulo, locais com boas praias, caipirinhas e cascatas, dos sítios onde são gravadas as novelas. E tão boas novelas têm, dizem as matriarcas de Portugal.
Você diz que a língua portuguesa é traiçoeira, mas afiada é mesmo a brasileira em qualquer situação. Herdamos este costume de onde? De sua colonização?
Resposta para isso eu não tenho, mas certamente desconheço metade dos estereótipos que me conta. São não mais que preconceito e me sinto no direito, talvez até no dever, de contar para você como vemos Portugal.
Antes, no entanto, peço que não me leve a mau, pois, de fato não penso assim. Enfim, vamos lá!
Não sei de onde surgiu, mas sei que alguém pintou que seus compatriotas são tão burro quanto portas e ainda querem zombar do Brasil. De bigode no rosto e sem vergonha na cara, não passam do preconceituoso quintal europeu que fala, com sotaque engraçado, do povo brasileiro. Prestam somente e talvez para ser padeiro, porque nem para marinheiro serviu. Saíram a caminho das Índias e acabaram por encontrar os índios aqui no Brasil. Por fim, gostaram tanto da terra que decidiram ficar, mas, hoje, em pé de guerra, as nações-irmãs, infelizmente, não fazem mais que se insultar.
É uma pena, de fato, ver que estes traços caricatos que acabamos de descrever são os que se perpetuam na cabeça do povo. Compramos imagens vendidas sem perceber que as diferenças culturais não têm de se estereotipar. Há tanta beleza que se perde nas entrelinhas dessa história, que, se fosse possível, começaria de novo nossa trajetória como irmãos, espalhando aos parentes, aos amigos e até aos desconhecidos a riqueza de nossa ligação. Somos uma mesma humanidade e as ideias pré-formadas devem-se dissipar.
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Um texto em parceria com Emminhasentrelinhas1989 - Vitor Martins, com uma live a falar sobre o assunto.


Obrigada Vitor, pela oportunidade, foi super enriquecedor poder reflectir em conjunto sobre as nações irmãs, uma relação única no mundo inteiro!

A célebre frase que encerra o nosso live:
“Uma das melhores formas de ser português é servir e amar o Brasil” - Jaime Cortesão.

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