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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

26
Ago20

Nações irmãs- rótulos e preconceitos - live


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O mundo da escrita, trouxe-me muitos amigos. 

Vitor Martins, foi um deles, autor da página Em minhas Entrelinhas no instagram. Em conjunto, tivemos esta ideia de debater num texto em parceria os rótulos existentes dos emigrantes portugueses no Brasil e dos emigrantes brasileiros em Portugal.

Iremos conversar abertamente sobre o tema, num diálogo sem barreiras, entre dois amigos de nacionalidades diferentes mas com muita história em comum.

Esta conversa terá lugar no Sabádo pelas 22h (hora de Portugal) e 18h (hora no Brasil) num directo via Instagram, na minha página de instagram (Temjuízo_Joana) ouna página (Em minhas entrelinhas).

Esperamos por vocês por lá, para nos ajudarem a desmistificar este tema!

Até lá,

Beijinhos a todos!

 

Com juízo,

Joana.

31
Jul20

SEXO, como quem fala de tipos de café pela manhã


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Um dia eu falaria sobre sexo. Num dia de sol, mesmo em cima dos meus saltos elegantes, vou falar sobre sexo. Um dia, destemida, com a coragem na língua e numa língua firme, falo sobre sexo.

Falar deste assunto, enquanto mulher, é delicado. Uma delicadeza que me pode custar uma nova rotulagem. Rameira, talvez, entre outros nomes mais arrojados, que prefiro não dizer.

Enquanto mulher, é delicado falar sobre sexo em praça pública. Porque ainda está enraizado na sociedade, que a mulher que fala de sexo não é princesa alguma, que não tem o recato entre as pernas. Num mundo que ainda não está acostumado à igualdade de géneros. Isento de rótulos e os piores, no que toca ao sexo, recaem (quase) sempre sobre as mulheres, acreditem!

Falamos de todos os prazeres da vida, mas no que toca ao sexo, shhhh, silêncio. Esse, que devia ser mais falado, para poder ser mais sentido e talvez até, menos dominante por género.

Hoje falo-vos de sexo, como quem fala de tipos de café ao pequeno almoço.

E vou chamar-lhe assim que é o nome dele - Sexo. Gostam de chamar-lhe fazer amor, triqui-triqui... etc etc. Dependendo do “tipo”, se mais carinhoso, se mais agressivo. É sexo, nas suas mais variadas formas, assim como temos vários estados de humor.

Ora, é suposto transformarmo-nos e sermos prazer, numa sensualidade própria. É suposto não sermos pudicos, muito menos, decentes. É o prazer carnal da vida, não se harmoniza com modéstia ou acanho.

Sexo, não é desonra. Também não é submissão. É um consumar de prazer entre corpos, num prazer percepcionado de vários ângulos, de diferentes formas, velocidades e contornos.

E a hipocrisia que há na questão do prazer? Sim, hipocrisia. Gemidos falsos só para mostrar trabalho “bem feito”. Não é hipocrisia? É. O pior é que não leva a lado nenhum, se não ao desprazer. Que é triste. Se não houvesse tanta hipocrisia nos gemidos e orgasmos fingidos, talvez houvesse mais satisfação e mais entusiasmo pela luta do que é lá chegar. Sexo mais justo, com prazer equânime. Entendem? Porque não tem mal não sentir prazer hoje, faz parte e vai acontecer muitas vezes. O que faz mal, é não tomar as rédeas para se atingir os êxtases, é não falar sobre isso, não explorar e fingir prazer onde não existe, por vergonha, ou por imitação, por ignorância, medo ou até mesmo, em forma de recompensa ao outro(a).

Falar sobre sexo, como quem fala de tipos de café pela manhã, não deveria ser uma opção mas uma regra. Faz-nos chegar ao melhor entendimento quer do nosso corpo quer do outro(a). Aumenta a cumplicidade, a confiança.

Como quem aprecia vários tipos de café, vamos falar de sexo. Só porque o sexo tem de ser sem simulações, sem imitações. Vamos contar os desejos carnais, falar sobre as fantasias. Tomamos café e recordarmos memórias sexuais. E com a nossa, só nossa sensualidade, bebemos mais um gole de café intenso e enxergamos que o sexo é aquilo que nós quisermos que seja, ao nosso jeito. Porque podemos tudo. Até no sexo.

E uma chávena de café.

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

20
Jul20

Mil rótulos


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Incrível como o ser humano involuntária ou voluntariamente mete rótulos a tudo.

Literalmente a tudo.

Não sei se para simplificar, para meter tudo em caixinhas e poder arrumar nas respectivas gavetas. Ou se para facilitar a identificação.

O que é certo é que todos nós o fazemos. Por genero, raça, cor, textura, forma, crenças, lateralidade, preferências, gostos, classe social... todos o fazemos! E, a maior parte das vezes, nem com intenção ou conscientes de que o estamos a fazer. E está tudo bem!

Os rótulos existem.

De facto limitam-nos. Criam circunferências em volta de riscos que não podes pisar. Ou que não era suposto pisar.

Desde que nascemos que são criados limites. Dão-nos um nome. Um nome! Que só o nome ja nos limita. Ora, eu sou a Joana, já não posso ser Aurora ou Tânia. Joana, será o nome a que me vão associar para o resto da vida. Associando experiências, vivências, memórias. Só a um nome!

 

Os rótulos existem.

Nascemos com eles e vamos associando novos mini-rótulos ao longo da vida. “Escolhe uma profissão”, mais uma circunferência. “Acreditas em Deus?”,  outra circunferência. A própria sociedade foi-se desenhando assim. Simplesmente assim, tens de escolher de que circunferências te queres envolver.

Os rótulos existem.

E está tudo bem. Está tudo bem se não criarmos pisos de desnível entre circunferências. Se soubermos que cada um de nós não cabe num so rótulo com a receita perfeita e os ingredientes certos. Porque há ingredientes que vamos descobrindo ao longo do caminho. Se soubermos que podemos ser a mesma receita de ingredientes diferentes. Se soubermos que o que nos define está muito para além de rótulos circunflexos. Se soubermos que pisar o risco às circunferências pode fazer-nos muito mais felizes do que dentro delas.

 

Os rótulos existem.

Existem nas bocas do mundo.

Sítios onde somos em perspectiva.

Onde um ou mil rótulos nunca nos irão servir.

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

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