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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

24
Dez25

Feliz Natal, Avó


O Natal ainda me sabe aos teus doces.

É um sabor que dói,

porque traz contigo tudo o que já não posso tocar.

 

Ainda te vejo na cozinha,

o tempo suspenso nos teus gestos,

as mãos sábias a criar memórias

sem saberes que um dia seriam saudade.

 

Ainda sinto as tuas mãos nas minhas,

vejo-te sentada no sofá,

e o teu riso — meu Deus, o teu riso —

a encher a casa de vida.

Hoje, o silêncio ocupa esse lugar.

 

É o teu quentinho que vive em mim,

essa presença invisível que não partiu,

que me segura quando a falta aperta

e me dá força para continuar a sentar-me à mesa

onde perdura uma cadeira vazia.

 

Homenageio-te todos os Natais.

Hoje, faço-o com os rostos que mais amo,

na esperança de que, daí de cima,

consigas ver esta pequenota traquina

e rias da sua safadeza,

como se ainda estivesses aqui.

 

A mãe finge que segue rija,

como quem aprendeu a não cair à frente dos outros.

Mas eu sei…

sei o peso das lágrimas que guarda em silêncio,

sei o quanto chora a tua ausência

quando ninguém vê,

quando a noite é longa

e a saudade não dá tréguas.

 

O Diogo continua à espera do teu arroz de cabidela.

Nunca mais comeu nenhum.

Talvez porque ainda continuemos à espera de um milagre impossível:

que regresses.

 

Feliz Natal, avó.

24
Dez25

Feliz Natal


Há lugares vazios à mesa, histórias interrompidas, risos que ecoam na memória, mãos que já não seguram as nossas.

Neste Natal, sentimos mais forte a ausência de quem não está nem pode estar. Vivemos agora nas receitas que repetimos “como eles fizeram”, nas expressões que herdámos sem perceber, nos valores simples que nos ensinam: cuidar, partilhar, perdoar.
A mesa pode ter lugares vazios, mas o coração continua cheio daquilo que nos deixou.

Enquanto isso, o mundo nos lembra que nem todas as mesas estão postas. Há guerra, há famílias separadas, há filhos sem Natal e avós que não podem proteger os seus. Dói perceber que, em pleno tempo de luzes, ainda há tanta escuridão. E talvez por isso este Natal nos peça mais consciência do que consumo, mais silêncio do que pressa.

No meio de tudo, o que prevalece?
Prevalece o amor quando escolhemos estar presentes de verdade.
Prevalece a família quando nos sentamos juntos, mesmo com faltas.
Prevalece a união quando lembramos que ninguém deveria ficar sozinho — nem à mesa, nem no mundo.

Que este Natal não seja perfeito, mas seja humano.

Feliz Natal 💫

24
Dez25

A cor do medo


Na minha infância ensinaram-me a ter medo os pretos.

Contaram-me histórias, tantas, que cresci a temer passos que nunca me fizeram mal.

No entanto, a vida, silenciosa e paciente, foi apagando esses medos que não eram meus,

mas heranças tortas de quem também as recebeu.

 

O racismo é como aquelas mentiras que se tornam virais:

espalham-se rápido, basta uma língua solta.

“Vê-se logo que é preto!”

“Olh’o preto ali!”

“Cuidava de mim uma mulher preta — mas muito cuidadosa!”

Cada frase um golpe.

Cada palavra um tijolo a mais num muro que nunca devia ter existido.

 

Podem chamar-lhe identificação, hábito, brincadeira — mas há termos que nascem tortos, e este carrega o peso de séculos.

É feio. É duro. É pequeno.

E quem o usa, muitas vezes, nem imagina o tamanho da ferida que repete.

 

À minha filha ensinarei outra coisa.

Não é dos pretos que ela deve ter medo!

O que assusta são os poderosos, os que esmagam sem olhar,

os ambiciosos de dentes afiados,

os que vendem a alma por um pedaço de chão,

Os sem escrúpulos.

 

No mundo para onde ela vai, a ameaça não tem cor:

tem nome, tem cargo, tem voz alta.

É humana — demasiado humana — na sua crueldade.

No mundo que a espera, não será a cor da pele que a ameaçará, mas sim a falta de humanidade de alguns.

 

E por isso lhe direi:

a cor da pele não é farol, nem aviso, nem fronteira.

Não define, não limita, não explica.

Não é rótulo, nem destino.

Que as pessoas se distinguem pelos actos, pelo carácter, pela forma como tratam os outros.

Quem se mede pela pele perde o essencial,

o coração que bate do outro lado.

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