Sr. Agostinho
Agostinho vinha na direcção oposta à corrente, e, como toda a gente, gostava de maré vazia em dias de verão. Punha-se das cores de amor-coração e dos pores dos sóis, contraste com a espuma branca da água salgada. “Lagostim feliz é lagostim que evita anzóis”, já dizia a sua avó — Agostinha — de quem herdou para além do nome, a língua afiada.
O mar bombardeava os seus sonhos, junto com as areias movediças, de rocha em rocha, batia na sua carapaça estaladiça, ondas dos sons tristonhos de um oceano em sofrimento.
Lagostim, lagostim, da areia fazia jardim. Era frágil mas corpulento, dos bigodes ante vinha o vento, tempestades e afins…
Solitário e angustiado, Agostinho vivia nas areias deitado. Como quem espera a morte, cavou a sua furna e ali ficou à espera da sua sorte.
