Florestas inteiras
Nasci semente, como toda a gente.
Nasci com raízes nos pés e fogo no sangue.
Dentro de mim moram águas profundas, lugar onde a intuição fala mais alto que qualquer ruído do mundo.
A selva que não cabe em gaiola alguma, ainda que me tente prender o riso.
E quando te encontro, em mim se permite a ursa protegida e a força robusta da mãe leoa. Sou o rosnar dos trovões nas noites de tempestade, sou todos os sóis que incendiaram os céus em mim, sou as marés salgadas que rebentam nas areias finas, sou os filhos harmoniosos das rolas nos amanheceres azuis, sou o boiar dos corpos dourados nas praias quentes. A tua pele é a minha casa, o teu sorriso a minha dedicação feroz.
Dentro de mim moram rios e cascatas, lugares esplêndidos onde vou rir alto, sempre que me faz colo.
Sou toda a selva que te vê crescer e sigo incorporando toda a minha ancestralidade feminina, na esperança de que bebês dela e floresças. Pois em cada semente que fui, prolonga-se uma floresta inteira.
