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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

25
Mai22

Ninguém me disse


Sabem quando ficam perplexos com as situações? Quando a indignação conquista todo o espaço cerebral? Talvez o espaço onde são processadas as emoções de alta intensidade… é assim que me sinto! Numa aversão pelos imprevistos e circunstâncias. É que nunca ninguém me disse que a vida era assim, que era isto, estes ciclos de dor-alegria, chorar-rir, morrer-nascer, cair-levantar. Nunca ninguém me disse!

Se, na adolescência, me dissessem que iam haver fases de lua versus sol na minha história, eu não quereria crescer. Ninguém me disse que as pessoas seguiam caminhos diferentes, de forma individual e que toda a adolescência acabaria mesmo ali!

Tão pouco me informaram das decisões, das escolhas que podiam mudar-me o rumo. Até das incertezas se esqueceram de me avisar, quando o que me davam para ler eram histórias de “viveram felizes para sempre”. Mas até essas personagens tiveram dúvidas, viveram nas mesmas hesitações sísmicas que eu.

Também ninguém me disse que iria temer pela morte dos meus, nem nunca me prepararam para isso. Se me dissessem que eu ia trepidar com o toque do telefone, fora de horas, eu preferia não crescer. Os acontecimentos menos bons não escolhem hora, nem o dia perfeito para acontecerem. Simplesmente acontecem! Levam-nos o chão em instantes. Tudo o que era garantido passa a ser incerto ou, até mesmo, dispensável.

Não é fácil, isto de sermos crescidos, dos que vivem com o coração nas mãos, cheios de cuidados. Se não é cuidados com o meio envolvente, é com a língua. Ninguém me disse que teríamos de ser tão apertados de bons modos, de cautelas, responsabilidades e preocupações. Queria ter ficado na infância, quando os meus pensamentos pairavam entre chocolates, bonecas e desenhos animados. Crescemos para conhecer o sabor amargo da tristeza e saber lidar com a aflição. Crescemos para saber colocar tudo numa balança e zelar para que o lado mais pesado seja o das conquistas, do amor e dos momentos felizes.

Ninguém me contou que iria viver numa corda bamba e que ia ter medo de cada vez que me desequilibrasse. Que iria ter medo das quedas e, muito mais medo, das quedas livres, desprovidas de amortecedor. É que ninguém me disse!

Quanto mais o tempo passa, mais conscientes somos do quão frenética a vida é. O tempo dá-nos a vil lucidez, de que não importa o quanto façamos, os acasos, ao acaso, surgem, mudando todo o universo e os universos dentro de nós.

Nunca ninguém me disse que, afinal, estas dores da vida, eram as tão faladas dores de crescimento.

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👉🏻 poderão encontrar este texto no blog da @valetibooks na reflexão n°15 - 10/04/2022

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