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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

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31
Jul20

SEXO, como quem fala de tipos de café pela manhã


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Um dia eu falaria sobre sexo. Num dia de sol, mesmo em cima dos meus saltos elegantes, vou falar sobre sexo. Um dia, destemida, com a coragem na língua e numa língua firme, falo sobre sexo.

Falar deste assunto, enquanto mulher, é delicado. Uma delicadeza que me pode custar uma nova rotulagem. Rameira, talvez, entre outros nomes mais arrojados, que prefiro não dizer.

Enquanto mulher, é delicado falar sobre sexo em praça pública. Porque ainda está enraizado na sociedade, que a mulher que fala de sexo não é princesa alguma, que não tem o recato entre as pernas. Num mundo que ainda não está acostumado à igualdade de géneros. Isento de rótulos e os piores, no que toca ao sexo, recaem (quase) sempre sobre as mulheres, acreditem!

Falamos de todos os prazeres da vida, mas no que toca ao sexo, shhhh, silêncio. Esse, que devia ser mais falado, para poder ser mais sentido e talvez até, menos dominante por género.

Hoje falo-vos de sexo, como quem fala de tipos de café ao pequeno almoço.

E vou chamar-lhe assim que é o nome dele - Sexo. Gostam de chamar-lhe fazer amor, triqui-triqui... etc etc. Dependendo do “tipo”, se mais carinhoso, se mais agressivo. É sexo, nas suas mais variadas formas, assim como temos vários estados de humor.

Ora, é suposto transformarmo-nos e sermos prazer, numa sensualidade própria. É suposto não sermos pudicos, muito menos, decentes. É o prazer carnal da vida, não se harmoniza com modéstia ou acanho.

Sexo, não é desonra. Também não é submissão. É um consumar de prazer entre corpos, num prazer percepcionado de vários ângulos, de diferentes formas, velocidades e contornos.

E a hipocrisia que há na questão do prazer? Sim, hipocrisia. Gemidos falsos só para mostrar trabalho “bem feito”. Não é hipocrisia? É. O pior é que não leva a lado nenhum, se não ao desprazer. Que é triste. Se não houvesse tanta hipocrisia nos gemidos e orgasmos fingidos, talvez houvesse mais satisfação e mais entusiasmo pela luta do que é lá chegar. Sexo mais justo, com prazer equânime. Entendem? Porque não tem mal não sentir prazer hoje, faz parte e vai acontecer muitas vezes. O que faz mal, é não tomar as rédeas para se atingir os êxtases, é não falar sobre isso, não explorar e fingir prazer onde não existe, por vergonha, ou por imitação, por ignorância, medo ou até mesmo, em forma de recompensa ao outro(a).

Falar sobre sexo, como quem fala de tipos de café pela manhã, não deveria ser uma opção mas uma regra. Faz-nos chegar ao melhor entendimento quer do nosso corpo quer do outro(a). Aumenta a cumplicidade, a confiança.

Como quem aprecia vários tipos de café, vamos falar de sexo. Só porque o sexo tem de ser sem simulações, sem imitações. Vamos contar os desejos carnais, falar sobre as fantasias. Tomamos café e recordarmos memórias sexuais. E com a nossa, só nossa sensualidade, bebemos mais um gole de café intenso e enxergamos que o sexo é aquilo que nós quisermos que seja, ao nosso jeito. Porque podemos tudo. Até no sexo.

E uma chávena de café.

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

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