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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

30
Mai20

Escreve, Joana


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Desde que comecei isto de escrever, de ter um blog, fazer da escrita algo mais frequente e um hobbie na minha vida, tenho sentido algumas mudanças interiores...

Sinto que comecei uma nova fase na minha vida, uma fase de maior esclarecimento, de maior lucidez.

É difícil explicar. Sinto-me mais eu, sinto-me mais real, em maior contacto comigo mesma.

Tudo se tornou mais presente. Mais genuíno. E passei a dar mais importância a coisas que, outrora, não dava importância alguma. Ou a merecida.

Sinto-me perto e livre. É estranho. Sinto que, escrevendo, tomo uma consciência que nunca tive. Ou que nunca estimulei.

Sempre gostei de escrever, mas em momento algum da minha vida me esforcei para se tornar em algo palpável. Excepto agora que só tenho vontade de o fazer, de livre e espontânea vontade.

A escrita tem um poder incrível.

E sinto-me uma felizarda por haver pessoas desse lado que gostem de me ler.
Louca por escrever, grata por me lerem!

28
Mai20

O colo da minha cama


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Não me considero preguiçosa. Fazer, talvez seja o meu nome do meio. O mais complicado é terminar de fazer. No entanto, há algo que me custa imenso durante o dia... levantar o cu da cama! Custa-me a pele. Ficam-me a doer até as pestanas! Como se cada pêlo desses tivesse a fazer levantamento de halteres de 5kgs.

Já experimentei varias formas para que este processo fosse agilizado. Mas... até agora não há nada que vença o melaço, o vínculo, o enovelar do meu corpo amolecido, ainda frouxo, enrolado na suavidade dos lençóis, da minha cabeça pesada obstinada pela delicadeza da minha almofada.

Como se me arrancassem a vida a ferros... É isso: Acordar assemelha-se, para mim, a parir a vida a fórceps.

É um amor platónico pelo colchão de látex que se molda na perfeição ao meu corpo. A viscoelasticidade de uma almofada por quem suspiro. O conforto abusivo e extremamente fácil de encontrar, qualquer que seja a posição em que tenha o corpo. Torturam-me além da conta. E o snooze torna-se o meu melhor amigo nos 15 minutos seguintes, os mais dolorosos do meu dia.

A ferros, lá consigo. Durante 20 minutos de pé, sou a pessoa, de corpo pesado e ainda quente, que mais odeia o mundo, atormentada pela tortura a que submeti o corpo. E é uma luta interior entre o mau humor matinal típico da Joana e o esforço para sorrir. Um sorriso que surge, também a fórceps, entre a vontade e o sono. Na tentativa de agradecer genuinamente por mais um dia, quando tudo o que quero é implorar por mais uns minutos de perdição daquele repousar.

E por nada mais consigo agradecer, se não pelo aconchegante colo da minha cama.

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

23
Mai20

Pegadas de um amor desobrigado


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Pequenino, de 1 metro, pele aveludada, branca da cor da cal. Cabelo escuro, forte e cheio de remoinhos. De olhos grandes escuros também, com um sorriso, já composto de dentes, que me transborda de felicidade. Uma felicidade que não consigo medir. Ele é sangue do meu sangue, não é meu filho, mas sinto-o como se fosse todo parte de mim. É um amor que não cabe no peito.

Floco de neve, floquinho, bigodes, esquilinho, são as várias alcunhas carinhosamente baptizadas por mim, sua tia.

Aquela construção de frases atropelada, meio à sopinha de massa, que me faz cócegas no coração. A aprendizagem rápida, esponjosa, numa cabeça que ainda me cabe na palma da mão. É o meu pequeno grande amor. E assim com esta forma, é mesmo o meu primeiro amor!

O riso desmontado, gargalhadas castiças com maluqueiras sem nexo. As graças com intenção de me fazer rir. Só porque na sua inocência ele sabe que me quer feliz ao pé dele.

Na hora da despedida, outrora chorava e deixava-me o coração esmigalhado, chegava ao carro e chorava também até casa. Hoje, é um homenzinho, de 1 metro, que apesar de ficar triste, compreende o sabor do tempo. No meu íntimo, eu sei que se faz de crescido para não me ver triste, acho até que já é capaz de se saber proteger do que não quer sentir. Essa capacidade faz-me chorar o coração. Está a crescer e eu não quero!

Com os seus pequenos pezinhos, já deixa grandes marcas em mim, andando em cima dos meus pés, como quando aprendemos a dançar.

Ele já tem preferências. E eu, orgulhosamente, faço parte delas. Quero também deixar as minhas pegadas nas suas memórias, memórias boas, daquelas que só nos saberemos, a espelharem cumplicidade. 

Amo-o e sei que ele me ama. E não há sensação melhor no mundo que esta. Saber que um ser desprovido de segundas intenções, guiado pelos sentidos primários, que não sabe julgar, apesar de saber distinguir o certo do errado, escolhe amar-me de livre e espontânea vontade. Sem obrigações.

Sinto uma pressa de o amar de volta, uma ansiedade para não perder este tempo, que não volta atrás. Este tempo em que ele ainda me escolhe amar sem pré-requisitos.

16
Mai20

A dupla face do orgulho


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Facilmente, sou orgulho. Das contraditórias perspectivas. Fui crescendo nesse material de folha dupla. Dupla face.

Uma face, a do nariz empinado e de caixa torácica expandida. A do ninguém me magoa, sou invencível. Aquela que mesmo doendo o peito, é um peito erguido e duma dignidade inabalável.
Um orgulho mastigável, que me enche os cantos vazios do ser. Agarro-me a ele só por segurança, daquela que não nos deixa cair pedaços, para não ficarmos desfigurados ou despidos.
Fui criada numa educação de gerações, onde o orgulho era obrigatório por ser uma qualidade que me permitia ser Alguém.
Hoje o orgulho não me permite nada, se não bloqueios. Constrói barreiras de betão difíceis dos outros chegar.
E para quê?
Nada constrói. A não ser o ego disfarçado de gente.


A outra face, aquela que também de caixa torácica expandida, mas de satisfação. Satisfação pelo prazer vivido da concretização própria e do outro, os que me são queridos. Aquele que a vida me foi ensinando pela experiência do amor.
Um orgulho cheio de nutrientes. Os nutrientes da alegria, da compaixão e do amor. O orgulho que nos traz lágrimas aos olhos por querer o bem. O que é oxigénio para seguir em frente com fé no universo e amor no coração.
Esse constrói os castelos das amizades, da vida relacional. Constrói amor.


Duplas faces tão opostas. Tão ambíguas.

Como pode ser uma pessoa tão cheia de ambas?

 

Imagem por: Catarina Alves - Freezememories_

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