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Tem juízo, Joana!

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

Entre o certo e o errado, o perdido e o achado, o dito e o não dito, encontros e desencontros, da pequenez à plenitude, entre a moralidade e a indecência. Se tenho juízo? Prefiro perdê-lo…

27
Mai24

Não sabemos nada sobre empatia


 

É fácil andar no nosso pé, nos pés dos outros não sabemos andar. É como ver um mundo tão tão longe que as pessoas viram formigas, é tentar focar algo quando se é míope, é como calçar uns sapatos de salto agulha e caminhar pela calçada portuguesa.

O que sabemos nós sobre a empatia? Nada.

Sabemos vestir a nossa pele, não sabemos o que é ser-se debaixo das peles dos outros, não sabemos a que cheira, ao que sabe, nem o que se sente.

Vislumbramos um filme tal qual as palavras e a imaginação que vamos absorvendo, mas não experenciamos as dores de vestir outra personagem.

Não sabemos o que é empatia.

Somos demasiado egoístas, egocêntricos, para sentir, de facto, o outro. Sabemos pouco desta arte de dançar nos sapatos alheios, ao ritmo das suas dores e alegrias. Somos daltónicos quando se trata de observar através dos tons da compaixão e  pintar num retrato da humanidade os gestos de amor e aceitação.

Somos pequenos, debaixo de tamanha indiferença. Somos tacanhos, de portas fechadas à conexão humana. Somos de plástico, não sabemos mergulhar nas profundezas das emoções do outro.

Somos cegos, quando tentamos enxergar dentro da névoa incerta da empatia.

Nada.

Nada.

Não sabemos nada.

Estamos perto, mas não dentro. Estamos juntos, mas não agregados. Estamos esponjosos, mas dormentes.

O que sabemos sobre empatia, afinal?

Coisa nenhuma.

É uma compreensão disfarçada, uma aceitação que vem oca. Contudo, é em cada gesto de gentileza e compaixão que nos aproximamos do ser e do ser humano.

25
Abr24

Fragmento


Espelho quebrado,

Dos cacos ao todo

És pedaços, nada

És tudo junto, separado

Espelho meu,

Espelho meu,

Haverá tantos cacos quanto os meus?

Estaladiços de ser

Sou fratura

Partida, fugida, perdida

Ida, ida sem volta

Ou volta sem ida.

18
Abr24

O coração no lugar certo


Tenho finalmente o coração no lugar certo - junto ao teu. És poucos meses de pessoa e já me conquistaste pela vida fora. Foi crescendo um peso no meu peito, o peso do amor incondicional, que trespassa qualquer barreira, um peso pesado, da tamanha responsabilidade do que esse amor representa. Cresceu exponencialmente e continua a crescer a passos tão largos que, às vezes, sinto que vou estourar de emoção. Rasgar a pele anafada de alegria, rebentar os pulmões do ar que se respira somente amor, afogar o coração neste mel viciante.

Oh Mariana,

És a minha pessoa preferida, o meu serão predileto, o melhor sorriso de todos, os olhos meia lua mais expressivos que conheço. E se há lugar onde gosto de morar é no teu sorriso, minha filha. Se há sítio onde pretendo estar sempre é no teu olhar, para que nunca te falte o Amor, o meu - o incondicional.

Quero escrever nas subsistências da memória todos os momentos que passo contigo, desde ver-te acordar até que te adormeço, do teu olhar enquanto mamas à tua sofreguidão para a sopa, das tuas gargalhadas duplas e sonoras ao esfregar os olhos nas tuas lutas contra o sono, quero guardar tudo, bem juntinho, para que nunca me falte saudade destes tempos de bochechas macias e fartas.

Eu mordo-me para não te morder, delicio-me com cada refego teu, cerro os dentes para não te apertar com tanta força, a tua voz, o teu riso são a minha playlist preferida!

Sei de cor os teus sonhos, porque sou viciada em ver-te dormir. Sei de cor os teus trejeitos porque me delicio a observar cada gesto teu. Sei de cor o ritmo da tua respiração e… ouvir o teu coração bater é a maior benção que poderia ter.

Tenho o coração no lugar certo, junto ao teu. Tenho a força de uma leoa para te proteger e também a energia que precisas, sem saber onde a vou buscar… este corpo cansado ama-te por inteiro, os meus poros transpiram o derradeiro amor, aquele que não tem fim. E falo-te, agora, deste lugar de mãe, um lugar que, apesar de exaustivo, exigente e corriqueiramente injusto, é e sempre será um lugar único e, por isso, tão tão mágico.

Tenho finalmente o coração no lugar certo, junto ao teu.

15
Fev24

Quanta saudade guardas tu?


A mesma quantas estrelas possas contar!

Num céu vasto e infinito, consegues contar as estrelas?
Consegues medir o tamanho de um aperto?
Aquele que se desapertava veemente para rebobinar a vida atrás, e vivê-la mais uma vez.
Que peso terá a saudade que carrego no bolsinho nostálgico deste coração? O peso do mundo. Tem peso o mundo?
Quantas mais lembranças, quantas… mais belas… lembranças, mais pesado fica, maiores as lágrimas que nascem nos meus olhos. É um peso, o peso de uma vida partilhada…
Quereria tocá-la, beijá-la, voltar a vê-la, para a fazer sentir-se amada novamente, para que o meu coração pudesse chorar um bocadinho no seu colo.
Será a morte a maior causa de saudade do mundo? Penso que sim. No meu coração foi a morte que me ensinou a verdadeira saudade. A maior de todas, insaciável. Essa derradeira… que todos os dias me mata um bocadinho, ao mesmo tempo que cresce.
Tem tanto de belo, como de triste, esta saudade. Quanta mais guardo, mais triste fico, quanto mais belo foi o que vivi com ela.
Quanta saudade guardo eu? Guardo tantas saudades, quantas mais puder, esperançosa de que sejam capazes de se matar. Um dia…
Quanta ambiguidade…
Quanta saudade…

09
Fev24

2 anos de luto - Espero que ela te conheça a energia


Tomo o café, todos os dias sem excepção, numa das tuas chávenas. Só porque acredito que assim te invoco para ao pé de mim. Que te sentarás à minha beira e me irás dar cavaco.
Até falo alto, sei que ouves mal… talvez agora pior!
Tento escutar-te, quiçá um sinal de que me estás a ouvir… nada! Mas a fé de que estás comigo consegue tornar-me mais surda que uma porta e ocupa-se de que cumpro sempre este ritual para te ter perto.
Falo-lhe de ti, sabes… conto-lhe como és(eras), das tuas traquinices, do teu português atropelado, das tuas rugas fundas. Encho-a de ti! Quero que ela te sinta, que te conheça como eu conheci!
Mostro-lhe fotografias e vídeos teus e rimo-nos as duas, ela nem sabe bem de quê. Na inocência dela espero que saiba quem és, quando te encontrar por aí… nos olhares que ficam a pairar no vazio.
Neste costume tão nosso, choro… choro a saudade eterna que terei de ti. Choro o lugar à mesa de quem a Mariana não usufruirá. Choro pelas gargalhadas castas que ela nunca ouvirá. Choro pelo colo que tanto me deu e que à Mariana não dará…
Mas ela leva um pouco de ti, eu sei! Encarregar-me-ei disso!
Dei-lhe uma parte do teu coração que trago comigo ao peito, dei-lhe as memórias e presumo que também a rebiteza e o fervor. Veremos…
Encarregar-me-ei de que ela viverá contigo, ostentará a tua graça e será abençoada só por te conhecer a energia.

✨2 anos a (sobre)viver sem ti, avó✨

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